Simplicíssimo

Edição 355 (03/02/2010) – A tragédia de Angra dos Reis, assaltos em São Paulo…

     Férias dos políticos. Sarney continua lá. O Dantas tá solto? Gilberto Mendes ainda no comando. Não tendo seu assunto preferido para apresentar, a imprensa passa horas e mais horas falando da tragédia de Angra dos Reis.
     A fúria da natureza. A avalanche que ceifou vidas. Chuva, gigante feroz, terra, desespero, sofrimento dos familiares. Histórias que são contadas e recontadas milhares e milhares de vezes. E o que nos ensinam?
    A mim ensinam uma coisa só: sobre como é importante viver o presente, viver nossas vidas da forma mais genuína que pudermos, respeitando nossos princípios, identificando nossos limites, desejando repetir a experiência caso o Eterno Retorno fosse a regra.
    Particularmente, se eu mesmo ou algum familiar meu fossem vítima de semelhante infortúnio, não desejaria nenhum tipo de noticiário sobre minhas costas. Desejaria ser respeitado em momento de luto.
    E a liberdade de imprensa? E o direito à privacidade?
   
    Assaltos em São Paulo. Praia Grande. Uma ocorrência registrada a cada 20 minutos. Certo. O problema está aí, não é novidade. Assaltos a turistas, a casas de praia. E a solução? E um debate crítico sobre o assunto? Um painel com a secretaria de segurança, a população local, os policiais que fazem o policiamento e o executivo da região?
    Não. Basta jogar a merda no ventilador. Você, caro telespectador, trate de limpar. Nós somos apenas o noticioso. Nosso papel é apenas gerar a informação. Que o fórum se estabeleça sem nossa ajuda, em outro lugar.

    Particularmente, não vejo mais sentido para esta mídia. Uma mídia irresponsável, que apenas propaga o problema sem interesse na solução. Chegou o momento de uma Nova Mídia, uma que abrace os anseios da população e, junto com ela, ajude a decidir que rumos nossos “representantes” devem seguir. O Quarto Poder é muito poderoso para se ater a despejar notícias e coletar dinheiro de anunciantes.

    Reflitam, colegas da mídia. Qual é o seu papel e qual poderia ser. Seu poder em manter o status quo é bem conhecido. Mas e que tal utilizá-lo para MELHORAR o estabelecido?

 

Rafael Reinehr

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