Simplicíssimo

Edição 254 (27/11/07) – Simpliganda

Mais uma vez começo um editorial com uma passagem da minha vida. Mas não se preocupem, agora é relacionada ao Simplicíssimo, ou seja, a todos vocês que aqui se encontram (ou se perdem). Ocorre que ali estava eu, de volta à vida, sem nada para fazer e sem poder fazer nada também. Convalescendo rapidamente na visão dos outros, imensamente devagar na minha. Nunca assisti tanta televisão na minha vida. Nas Olimpíadas bati recorde em todas as modalidades. Nem quando eu era uma criança de férias tinha visto tanta prova. Resolvi visitar a weblândia e cheguei no Simplicíssimo. Um grande susto ou desapontamento ou ambos. Não era mais o mesmo (Heráclito diria mesmo de mim). Nenhum demérito ao editor e autores que ali estavam com seus inquestionáveis textos. Um pouco por causa do layout (que chamamos nos bastidores de template) que sempre fora algo bem trabalhado para o “espírito” do site e era agora algo comum, burocrático, um site parecido com tantos outros por aí. E desapareceram as girafas! Mas o problema em si era outro, ao que dei o antipático nome de Simpliganda. Isso mesmo, o Simplicíssimo estava repleto de propagandas em cima, embaixo, ao lado, noutro, dentro, fora, entre.

Questionei o comandante Rafael Reinehr, que me explicou dos seus novos projetos não “simplicistas” (como diria nossa nova autora Betina, que inaugura sua coluna nesta edição: êta “bicho carpinteiro”) e da vontade de gerar alguma renda por aqui, com as melhores intenções do bom homem que é, como uma forma de pagar a hospedagem do site, remunerar os autores, aumentar a fidelidade desta comunidade e poder realizar promoções sem custo extra. Senti falta também dos links com “a história do site” (a nossa “alma”), do índice, do reduzido número de textos, das poucas colunas em atividade e dos exíguos comentários em cada texto. Imaginei que isto era resultado das “gandas” ou da conjuntura como um todo (incluindo a marcada ausência do comandante, provavelmente sequer desejada por ele, mas por motivos plenamente compreensíveis). Na minha tela, quando eu ia para um texto, aparecia o título, seguido de anúncios linkados do Google. Então, rolando a tela e somente então, aparecia o texto em si. Por vezes, comecei a ler os anúncios como se fizessem parte do texto e ficava pensando porque o autor teria escrito aquilo. Devo ter desistido da leitura algumas vezes até me dar conta do sistema. Ah, o sistema…

Isso tudo me fez forçar um pouco minha proposta de retorno. Com tudo o que já evoluímos (ou não) nessas últimas duas semanas, temos de volta o índice, agora chamado de “Nesta edição”, atalhos para saber mais “Sobre o site”, espaços publicitários menos “intrometidos” no contexto, a mudança do título do módulo “Autores em destaque” para “Conheça alguns de nossos autores”, pois trata-se de uma disposição randômica de autores e não uma ordenação por algum mérito específico das pessoas (qualidade ou quantidade dos textos, etc.), as girafas e afins voltaram (veja na coluna da direita e no pé da página), é exibida a data em que o texto foi criado (importante para localizá-lo no tempo quando ele sai da capa, até mesmo porque vários textos estão relacionados a algum evento específico ocorrido naqueles dias e o leitor pode entender melhor a vinculação), há como recomendar o texto para um amigo, além do sistema de comentários ser mais seguro contra spams (uma dor de cabeça). Ah, mas o sistema …

Vamos ao ponto. O Simplicíssimo tem recebido uma média não exata de 15 mil visitas únicas/mês. Grande parte destes visitantes são os chamados “pára-quedistas” do Google (uma nomenclatura oriunda da blogosfera), que caem ali através do resultado de suas pesquisas. Um dado curioso é que dos 10 textos mais lidos deste site, 30% têm já em seu título algum termo com “um q” que poderia atrair pára-quedistas em busca de pornografia, com por exemplo o “Só de Sacanagem” e o “Por que damos tantos nomes e apelidos para pênis e vagina?”. Outro percentual até maior indica que o texto em si pode conter este atrativo, como em “Como Surgiu”, que tem a seguinte frase: “Ah, o nome, Simplicíssimo, foi chupado e traduzido de um jornal alemão majoritariamente de cartuns…” e em “O que é” com o trecho “Liberdade para ser utilizada ao seu belprazer!. Mas abstraído isto, o fato de 40% dos “dez mais” serem também textos explicativos sobre o Simplicíssimo (como os acima citados), poderia nos dar o entendimento de que há um público visitante que acaba se interessando um pouco mais em conhecer e navegar neste zine. E para ampliar um pouco o que espero não estar sendo um nó nas vossas cabeças, me informa o Rafael que as “melhorias” recentemente implementadas no site causaram uma redução no programa de pontos dos anunciantes (ou coisa parecida, para um dia se ganhar algum dinheiro) em 95%, uma estatística e um paradoxo desoladores. Ah, e o sistema …

Enfim, inundado por todas estas questões me parece mais que necessário repensarmos coletivamente os objetivos do Simplicíssimo, principalmente evocando a opinião dos seus autores e visitantes. Redefinir a validade do “escrever por escrever” e do “escrever para render”, a aposta numa comunidade com os ares poluídos de pára-quedistas, mas batendo audiências recorde e a simplicidade (que curiosa coincidência do termo) de uma comunidade infinitamente menor, mas fiel e dedicada aos objetivos comuns lançados desde o início do site (quem quer ler, lê; quem quer escrever, escreve; e quem quer ler e escrever, pasmem, lê e escreve). Haveria um meio-termo possível para bem sobrevivermos dentro deste nada simples… sistema?

Eduardo Hostyn Sabbi

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