Simplicíssimo

Escritos do Sem-Tempo

            Você já se fez a seguinte pergunta: “Onde é que esse mundo vai parar?”?

            Se já, parabéns! Agora você faz parte do seletíssimo grupo de humanos ou alienígenas preocupados com o futuro da nossa existência.

            Enquanto humano, tenho uma teimosa esperança na raça humana, mesmo sabendo que a qualquer hora podemos estar presenciando o surgimento de alguma outra espécie que nos desbanque, deixe pra trás, escravize ou até nos erradique da face da Terra, como seres predatórios e destruidores que somos. Não, não estou vendo ou lendo séries de ficção científica demais.

            Preocupo-me com a insensibilidade crescente que desenvolvemos frente aos problemas do nosso tempo. Nossa capacidade de indignar-se e mover contra algo que nos agride é deplorável. A violência bate à nossa cara diariamente e quase não a sentimos, exceto quando lambe nossos pés. Níveis alarmantes de pobreza, desemprego e favelização são características de todos grandes centros urbanos e as crianças na rua, as filas homéricas para concursos para gari e a poluição visual e moral de nossas cidades é percebida como algo normal.

            E quando estes pequenos seres que hoje são crianças crescerem? Estão crescendo já anestesiados, pela alta intensidade com que são expostos ao absurdo volume de informações negativas que deixam de ser notícia para serem internalizadas como algo rotineiro, para o qual aprenderam, instintivamente, a dessensibilizar-se, para continuar vivendo.

            Este processo de desumanização da vida, fatalmente leva a um crescente processo de invidualização que já levou à nossa subjugação por poderosos grupos de humanos à frente de máquinas corporativas que drenam as energias dos menos favorecidos em prol da sede voraz e infinita da máquina para o qual todos se remetem.

            Mas, como disse antes, tenho profundas esperanças no humano que ainda resta a alguns seres humanos. Quem sabe este, numa virada aos 48 do segundo tempo façam eu morder minha língua?

            Ou será que “Salve-se quem puder” será a frase mais ouvida dos próximos 50 anos? Alguém quer apostar?

Rafael Reinehr

PS: a propósito: o que será de nós daqui a 200 anos? 

Rafael Reinehr

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