Simplicíssimo

Minicontos e zerézimas

A Unisinos, Universidade que inaugurou este ano o curso de Formação de Escritores e Agentes Literários, está com uma iniciativa bem bacana. Criou um hotsite e está conclamando escritores a enviarem minicontos de até 200 caracteres. Os melhores ganharão brindes.

 

Apresento a seguir o texto de Fabrício Carpinejar, poeta que é o coordenador do curso de Formação de Escritores e que introduz a idéia da página:

 

O hotsite é um escritório ambulante, imaginário, amalucado, feito para todo
escritor que estava esperando a chance para mostrar seus inéditos e palpitar
na produção contemporânea. Um modo de estar na vitrine e divulgar o talento.
O espaço propõe desafios literários, jogos intelectuais e charadas visuais.
Entre um e outro exercício, o que vale é a amizade que se cria e a
possibilidade de encontrar uma galera com as mesmas afinidades, gostos,
taras e obsessões.

O primeiro desafio é escrever um miniconto, com tema livre, de no máximo 200
caracteres. Nem adianta escrever mais do que isso, que o alarme de incêndio
irá soar.

O exercício é inspirado em iniciativas como "Os cem menores contos
brasileiros do século" (Ateliê Editorial), antologia organizada por
Marcelino Freire. Os melhores textos receberão brindes.

Para quem pensa que é impossível ser tão conciso, basta pensar no mais
famoso microconto do mundo, de Augusto Monterroso, com apenas 37 letras:
"Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá".

Literatura para nocaute: jab, hook, gancho, cruzado, direto. Sucessão de
golpes para o leitor ver estrelas mais cedo.

Brevidade é intensidade. Dizer pouco, mas dizer bem. As narrativas
microscópicas pretendem reproduzir a persuasão de torpedos. Exigem poder de
síntese e de imaginação, a partir de um pequeno conflito ou uma contradição.
Cabe, portanto, sugerir mais do que expor, captar um detalhe e uma
semelhança até então irrelevantes.

Uma outra referência de nosso projeto é o grupo francês Oulipo (Ouvroir de
Littérature Potentielle), algo como "oficina Literária Potencial", que
aproximou a literatura da matemática com provocações quase impossíveis.
Grandes escritores fizeram parte dessa trupe da metade do século passado:
Italo Calvino, Raymond Queneau, Jacques Roubad, Georges Perec.

O Oulipo estabelecia restrições formais na execução de um livro. Estimulava
as dificuldades como forma de excitar a fantasia e a criatividade. Por
exemplo, "Exercícios de Estilo", de Queneau, narra uma banal subida de um
passageiro no ônibus de 99 formas diferentes, e "La Disparition", de Perec,
não contém nenhuma palavra com a vogal "e", a mais assídua da língua
francesa.
 
Venha, portanto, brincar com a linguagem.  Entenderá que a literatura é uma
brincadeira séria.

 O endereço do site:  http://www.unisinos.br/desafio_literario

Convite feito. Aproveito para lembrar que o Simplicíssimo está, desde primeiro de agosto, publicando um miniconto por dia. Se você é minicontista ou quer começar a enveredar por estas praias, envie seu miniconto que nós publicaremos.

Lembre-se que o miniconto não é poesia nem tampouco trata-se de frases soltas. É necessário ter um enredo, um subtexto, um final surpreendente. Exercite seus neurônios e traga-nos o resultado das suas experiências.

 A propósito, neste dia primeiro de outubro, vote consciente: VOTE 00-NULO!

Até mais ver,

 

Rafael Reinehr

Rafael Reinehr

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