Simplicíssimo

Panela De pressão

A Grande Depressão do século vinte e um

É ter tudo ao alcance de um clique

E nada ao alcance da mão

É ter tudo em frente aos olhos

Mas nada junto ao coração

O vermelho virou verde

O verde, este virou vermelho

Nossos olhos, atônitos, mascam a violência

Que reflete a indecência das escolhas

Que estes maquinistas daltônicos

Dia após dia,

Noite – na rua, nas casas – após noite,

Fizeram e fazem

Conforto e riqueza

Egoísmo e avareza

Perpetuando a pobreza

Divina realeza

Enquanto falta na mesa

Literatura, saúde e pão

Cultura, música e diversão

Cinema, dinheiro e compreensão

Sobra solidão

E neste grande panela, neste grande caldeirão

Misturam-se desejos que não se entendem

E geram atritos e conflitos e detritos

Temperos e ingredientes que não combinam

Se não acharmos um novo Cozinheiro

Um novo Livro de Receitas

Desta panela, depressão

Só vai restar a explosão.

 

Rafael Reinehr

(Poema a ser publicado em maio/2007 no livro "O Maquinista Daltônico" – coletânea de poesias de 9 escritores santamarienses)

Rafael Reinehr

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