Simplicíssimo

Resultado do II Concurso Simplicíssimo/O Pensador Selvagem de Minicontos


Primeiro lugar:

Trigésimo andar, de Nédia Sales de Jesus

Juntos, o talento e o medo de altura, levavam o pintor a sustentar-se nos andaimes e fazer o seu trabalho de olhos fechados.


Segundo lugar:

Em pauta, de Geraldo Trombin

Questionado sobre a qualidade de sua sinfonia, Beethoven ironicamente responde: musiquinha é a Nona!

Terceiro lugar:


Aquecimento global, de Alana Espinosa Corrêa Nunes

Tão bom estar aqui, só eu e você, poder me perder nesse olhar azul Royal, nesta piscina azul turquesa, debaixo deste céu azul fumaça…

Menção honrosa:

Sem títulom, de Tiago Fidelis Moralles

Tomou coragem, o último gole, olhou pra mulher e disse:
– Querida! Eu te traí a vida toda.
Ela já sabia. Era mesmo o último gole.

 


Questão de Necessidade, de Nédia Sales de Jesus

    O seu primeiro furto foi cometido ainda na infância e deu-se por uma questão de necessidade; o segundo foi devido a uma recaída…
    Com o tempo veio a necessidade de ter um carro…
    Vieram outras necessidades e vieram, também os filhos, que hoje o fazem pela necessidade de trazê-lo de volta para o lar.

A mala ainda não estava cheia, de Uili Bergamin

    Ia embora. Sobre a cama, quase tudo pronto. Dizia-se farta do relacionamento. Farta de paixões e de homens. Mas eu via, em seu olhar, no modo como ajeitava a roupa, que ainda havia espaço.
    Amá-la, ainda não estava cheia.

O Sirizinho poeta, de Márcio José Bergamini Júnior

    O sirizinho os espiava na areia da praia. Quando foi visto, correu pro meio das pedras e foi ouvir o marulho numa conchinha. Amaram-se. O sirizinho fez um poema e, ao nascer do sol, jogou o texto no mar enchendo de poesia o alvorecer dos namorados.

O espaço da poesia, de Nilson Vieira Moreno

        Kleider voltava da faculdade, meia noite no máximo, quando pensa num poema. Com sua urgência peculiar, resolve escrever no meio-fio abaixo dum poste, quando a viatura surge e o policial o aborda:
        – Que tá fazendo?
        – Poesia – responde.
        – Então deixa eu ver.
       
        – Não, tenho vergonha.

Juizes também viajam de ônibus, de Alexandre de Castro Gomes
 
Terminou a sentença no ponto final.

Insônia, de Alexandre de Castro Gomes

    Um bebê chora, talvez incomodado pelo som da festa de outro prédio. Um carro freia e quase atropela o bêbado que xinga alto. Olho o relógio. "Tantas horas", me brilha o maldito na cara. Contas a pagar. A perna coça. Puxo o lençol para me livrar do mosquito. Ligo para a Ana? O ar do vizinho não para de pingar. Moto. Caminhão de lixo. Despertador.

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Os três primeiros colocados serão contatados nos próximos dias para definir a forma de entrega dos prêmios. Os participantes selecionados com Menção Honrosa deverão receber, nos endereços enviados no momento da inscrição, um certificado impresso comprovando seu mérito.

Até a próxima edição, no final deste ano.

Rafael Reinehr

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