Simplicíssimo

Um vício chamado cidade.

Já não lembrava mais desse constante burburinho, dessa agitação que só a cidade possui. Bares, boates, Shopping centers, barulho de carros, motos, metrô dentre outros, já me eram estranhos.

Saí da cidade há muitos anos. Meu pai, que nunca gostou dessa "agitação urbana", foi para fazenda com o único propósito de livrar as filhas das mazelas de uma sociedade capitalista! Cresci no que ele chamava de ambiente saudável. "Ar puro, contato direto com a natureza, não existe coisa melhor!", dizia sempre ele.

O tempo foi passando e toda essa salubridade foi se tornando demasiadamente monótona, tediosa para mim. Necessitava de novas experiências. Então, decidi regressar à cidade.

Foi nesse momento da minha vida que conheci Rafael, Laura e Cláudio amigos que me apresentaram a tão excitante vida na metrópole. Conheci os mais badalados lugares, os mais variados tipos de pessoas e foi tudo muito bom, ou melhor, espetacular!

Nem acreditei que passei longos anos da minha vida enclausurada num ambiente tão sem graça (melhor denominação para a vida bucólica).

Na cidade o dia parece não ter 24 horas, as pessoas parecem não dormir! A vida é sempre tão intensa, cheia de acontecimentos. Vivemos aqui numa verdadeira tacocracia, ou seja, uma ditadura da velocidade. Tudo sempre em movimento, nada de monotonia, nada de tédio! Foi tão fácil me reacostumar com o esquecido! Se, outrora, o campo me dava vários motivos para querer fugir, na cidade eu tinha mais de mil motivos para querer ficar.

Não compreendo o porquê do meu pai ter nos privado de um lugar exorbitantemente significativo para a experiência humana. Lugar este que não distingue gostos, estilos, pessoas, ou seja, complexo e multifacetado. Voltar para o campo? Não saberia mais viver sem tantas variadas atenções.

Letícia Sousa

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