Simplicíssimo

A esporádica majestade do incomum

Há dias que a retina não controla
A projeção de imagens.
Há dias que a urina infunde
Á leve menção do simples laivo da vontade.
Há dias que a doce e inócua brisa
Escalavra cruelmente a face.
Há dias que a noite
É contínua manhã incólume: a aderente
Paisagem!
Há dias que a
Escuridão é a alameda
Onde reside a foz de toda a universal verdade.
Há dias que o dia
Aparenta ser fluxos e refluxos de miragem.
Há dias que o Poema
É o mais etéreo plenilúnio da Vacuidade
Há dias que a latitude e a lembrança
São o mais edaz epicentro da saudade.
Há dias que o ser concreto
São os sortilégios de Mérlin, Iemanjá, Baco, Amon-Rá e o Hades.
Há dias que o Poeta É corpo sem Verve, a terra sem Verbo:
A Vácua Viagem!
Há dias que a guerra
Sucumbe ao sopro do vento da Amizade.
Há dias que a Porta Não é uma mera passagem.
Há dias que o sofrido povo Não é miríade e sim, O Principal Personagem.
Há dias que a Poesia sonha O sonho de ser o Graal da IGUALDADE!

 

 

 

Jessé Barbosa de Oliveira

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