Simplicíssimo

Insonia I – A Dificuldade de Escrever

Não sei que horas são e nem me interessa. Amanha é uma quarta-feira e tenho aula o dia inteiro. Acabei uma relação no fim-de-semana. Estou meio confuso. Não por causa deste fato, mas porque me preocupo com o ofício de escrever. Às vezes acho que ficar aqui escrevendo é uma puta perda de tempo. Às vezes acho que tudo isso é uma mentira inventada por mim para achar que sou alguma coisa. Um tipo especial, sensível, sei lá. Prova disso é que constantemente mostro para as pessoas o que escrevo, como forma de auto-satisfação. Não sei quem, mas alguém uma vez disse que para tornar-se um escritor bastava algumas folhas de rascunho, uma caneta e um fim-de-semana livre. Bastava sentar-se confortavelmente sobre uma escrivaninha e… peraí que eu vou trocar de letras, não to gostando "desta times new roman" (vou mudar para "arial". Com licença…) Deu, assim é melhor. Bem, onde eu estava… Ah, bastava sentar numa escrivanhinha e escrever tudo o que viesse à cabeça (partindo do pressuposto de que seria impossível que não viesse nada). Serve desabafos sobre falta de inspiração tipo este ect etc etc). Depois de 12 horas de reminiscências e tentativas de articulação de um enredo com início meio e fim, caberia ao mesmo escritor ou outro, selecionar alguma coisa que valesse a pena publicar. Na atual conjuntura, qualquer coisa serve. Pronto. Em suma: para ser um escritor basta uma alta dose de paciência e boa vontade.

Nota: He,he,he! Queria ver como era antigamente para quem queria ser escritor. Não tinha esta barbada do Word. O sujeito tinha que fazer tudo a mão. Se errava, se fodia. Tudo de novo. Por isso que tinha menos picaretas literários naquela época não muito distante. Grande parte dos picaretas são preguiçosos e jamais teriam saco de escrever, se escrevessem mal e não tivessem computador. Perceberiam que não valeria a pena. Hoje não. Todo mundo é meio-escritor. É fácil ficar digitando teclas suaves e tomando um suco. Se cansar joga um joguinho no computador ou bate uma punheta. Antes não. O sujeito tinha que penar para dominar aquelas máquinas de escrever, hoje consideradas medievais. Além do barulho, as lesões por esforço repetido e a podridão dos dedos, cheios de bolhas e pus, eram frequentes. Pobre Hemingway, pobre quem quer que seja! Outra vantagem é que posso imprimir meus contos, quando, como e aonde quiser. Posso inclusive mandar para vocês através do email (só não mando para mais gente porque tenho um limite, não se esqueçam que meu endereço é do hotnai). Posso me dar ao luxo, inclusive de não imprimí-los. Já antigamente, a impressão era outro departamento. O escritor tinha que revisar tudinho, tintim por tintim. E se tivesse algum erro, tinha que fazer tudo de novo. Naquela época do Oswaldo Cruz (?), não tinha máquina de xerox como tem hoje.tchau que tá ficando chatinho… Este tipo de papo que estou tendo com o computador neste momento, pode ser interpretado como uma espécie de treinamento. Um ensaio condicionado para desenvolver o hábito de escrever. Desde sentar na cadeira e ligar o computador, até abrir no "crônicas e começar a bater nas teclas. Tenho tido algumas idéias para contos. Vou tentar desenvolvê-las neste momento. O problema é que eu sou muito preguiçoso. Ou picareta. Eis a questão: "- merda…"

Pedro Schestatsky

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