Simplicíssimo

O Tempo de Agora

Ainda é cedo. Ainda é cedo pro tempo certo passar.
As vezes eu queria insistir que o tempo certo ainda não tava aqui. Tem horas que eu sinto que tá aqui, aceso dentro de mim, ao meu redor. Sinto cheiro de tempo novo. Sinto cheiro da falta de medo. Sim, as vezez dá pra pegar uma marreta e subir o morro, aos poucos, porque é aos poucos que o mundo te aceita.
O mundo engole tanta coisa, parece gente, feito a gente. A gente engole , sempre, sempre acaba levando alguma coisa fria, gélida pra dentro da gente.
Desejar sentir sempre uma paz dessas é coisa que todo mundo quer, acredite em mim. Parece que ela não anda ao alcance da gente, mas é feito a gente, é feito aquele tempo certo que a gente tem assim, tanta virgula e sombra de duvida. Quando isso vem e toma conta do meu coração, eu fico acreditando que eu ando por aqui pra alguma coisa, que eu ando por aqui pra acreditar as vezes naquilo que as pessoas teimam em não acreditar hora ou outra.
Ai eu quero ver os detalhes e mesmo que seja inverno eu quero sentir que dá pra pegar um vento na cara e sorrir pro relento, feito uma criança andando de balanço. Tem coisas assim, tão pequenas, que me lembram de um jeitinho tão bonito que eu posso respirar e sorrir e sentir o que quiser na hora em que eu quiser. As vezes tenho pena deste sentimento.Sinto que é nobre, e que é meu, e que só eu posso passar adiante e a quem eu quiser e então o mundo é meu, porque é um mundo, é mais um mundo dentro de meu mundo.
Ainda é cedo pra este tempo certo passar. E pasasa em compasso. E pasaa devagar, me balança na cama e me faz dormir, na paz de ficar sorrindo até que o dia amanheça e eu o alcance de volta.
A volta pras coisas boas não é tão triste quanto pro marasmo.
A volta pro tempo certo. Acho que ele não passa. Acho que ele espera. As vezes ele se vai. Mas ele anda sempre por ai, esperando que a gente o encontree que a gente deixe todos aqueles muros nojentos pra trás.
Principalmente aquele medo de sentir o que se quer.
De deixar que aquilo que anda passeando na nossa cabeça vá embora porque um vivente qualquer tem receio do futuro e das novas – velhas leis.
Me repugna acreditar que a gente se sujeita ás novas – velhas leis. Achamos bonito e condecoramos com flores, de plástico,insensíveis e incorrosíveis.
Nunca parou pra pensar que merece mais?!
O tempo certo merece mais.
Merece ser mais e melhor alcançado.
Merece ser acariciado, feito a gente.
Merece ser acariciado e não engolido inteiro, feito todo o resto.

As vezes a sabedoria de todo esse caos é vencida.
E a gente sente aquilo que tem de sentir.

*mesmo.

*e de verdade.

Tá sentindo isso?

Isso o que?

A vida.

 

Maria Ana Maioli

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