Noel, Noel …

[Setembro] Homem feito, Moacir chega ao consultório da psicóloga cabisbaixo, de ombros encolhidos e olheiras à mostra:

_ Papai Noel ainda não respondeu minhas cartas. Todos estão gozando de mim, eles não acreditam no velhinho mas eu sei que ele existe. Eu tenho me comportado, sou bonzinho, ele não pode fazer isso comigo!

[Setembro] Homem feito, Moacir chega ao consultório da psicóloga cabisbaixo, de ombros encolhidos e olheiras à mostra:

_ Papai Noel ainda não respondeu minhas cartas. Todos estão gozando de mim, eles não acreditam no velhinho mas eu sei que ele existe. Eu tenho me comportado, sou bonzinho, ele não pode fazer isso comigo!

A psicóloga inicia um longo trabalho de análise e, três meses depois, pleno dezembro, depara-se com a piora de Moacir, que ameaça suicidar-se se não ganhar o presente que solicitou reiteradas vezes nas cartas endereçadas ao Pólo Norte. Frente à ineficácia de sua abordagem ela encaminha o paciente a um psiquiatra para receitar-lhe uma medicação.

[Janeiro] Quase uma criança, Moacir agora está sorrindo, brincalhão e parece aliviado. Durante a consulta, nenhuma palavra sobre o Papai Noel, apenas coerentes relatos sobre os negócios, a família e os amigos.

_ Vejo que o remédio do Psiquiatra lhe fez bem … e quanto ao Papai Noel?

_ Já era, graças a você estou aprendendo a não ficar remoendo o que passou.

_ Bem, e quais são os planos agora?

_ Estou trabalhando no desenvolvimento de ferramentas de pesquisa.

_ Como assim?

_ Bem, sabe como é, a Páscoa está aí e o coelhinho costuma esconder bem o cesto de ovos de chocolate…