A indesejável

Eu não sei lidar com a morte. Isso é fato. Não que tenha medo dela, não é isso. Assim que chegar minha hora, irei sem protestar, sem medo algum. Desejo apenas que seja uma morte tranqüila.
(Preciso dizer que não quero morrer tão cedo? Não, né? Tenho muito o que fazer por esse mundo afora.)

Eu não sei lidar com a morte. Isso é fato. Não que tenha medo dela, não é isso. Assim que chegar minha hora, irei sem protestar, sem medo algum. Desejo apenas que seja uma morte tranqüila.

(Preciso dizer que não quero morrer tão cedo? Não, né? Tenho muito o que fazer por esse mundo afora.)
Mas não me sinto confortável em ver a morte de perto. De senti-la próxima de mim. Faz pouco mais de um ano que perdi meu avô. Anos antes perdera também outro “avô” (tio-avô, na verdade).
Não compareci nem no velório nem no enterro de nenhum dos dois. Não me sentia bem com aquela situação. Meu pai me repreendeu, claro. Não fosse sua energia nas palavras, nem na missa de sétimo dia do meu avô eu iria.
Nessa última semana a avó de um grande amigo meu faleceu. Ela já vinha doente, estava internada. Isso diminui um pouco o sofrimento da família, mas uma perda é sempre um choque.
Quando ele me ligou dizendo isso, fiquei sem saber o que falar. Não existem palavras confortantes num momento desses. Fui sincero e lhe disse: “não tenho nem o que lhe dizer, cara”.
E realmente não há. Devemos encarar a morte de frente e pensar que todos têm sua hora. Eu não acredito no acaso. Para mim, todos temos prazo de validade. Desde o dia que nascemos, a data de nossa morte é estabelecida. Somos condenados à morte no primeiro dia de nossas vidas. Infelizmente não nos dizem quando a sentença será posta em prática. Se soubéssemos, talvez fosse melhor. Talvez.
Enfim, volto agora meus olhos para o meu próprio umbigo. E digo: enterro e velório só irei nos meus. Acho que posso escolher isso. Ou não?