Código dos homens de bem

Deveria existir um código dos homens de bem. Poderia ser um cacoete ou uma onomatopéia, não sei. Mas deveria existir. Para quando os homens de bem se encontrassem, não tivessem medo uns dos outros. Pois hoje vivemos com medo uns dos outros.

Os homens de bem estão sempre dispostos a ajudar o próximo…

Deveria existir um código dos homens de bem. Poderia ser um cacoete ou uma onomatopéia, não sei. Mas deveria existir.

Para quando os homens de bem se encontrassem, não tivessem medo uns dos outros. Pois hoje vivemos com medo uns dos outros.
Os homens de bem estão sempre dispostos a ajudar o próximo. Mas nem sempre o próximo é também um homem de bem, e muitas vezes o justo acaba pagando pelo pecador. Trocando em miúdos, o homem de bem termina por ser vítima de sua cordialidade, de sua bondade.
É a velha história: um indivíduo pergunta as horas, o homem de bem, gentil que é, pára e responde. O indivíduo ordena-lhe que “passe o relógio senão eu te mato”. E o homem de bem fica triste ao ver que os homens não são como deveriam ser.
Acontece também de um homem de bem estar voltando tarde da noite para casa, e um outro homem de bem estar na mesma situação. Um atrás do outro, numa rua deserta. O que vai à frente apressa o passo e tem medo do outro que está logo atrás. Pode ser um ladrão, e este marginal pode tirar-lhe a vida por motivo nenhum. Mas não. Ele é também um homem de bem. Se um dos dois tossisse e o outro respondesse da mesma forma, se fosse esse o código dos homens de bem, eles ficariam tranqüilos. Conversariam, até. Um convidaria o outro para almoçar em sua casa, conhecer sua esposa e filhos. Seriam amigos, esses homens de bem.

E quando falo “homens” estou falando da humanidade. Homens e mulheres. Seria muito útil para inícios de relacionamentos. Afinal, como diz o ditado popular, à noite todo gato é pardo. E seria muito útil tanto para homens quanto para mulheres, saber se aquele ou aquela que lhe atrai é ou não um homem ou uma mulher de bem. Isso não eliminaria todas as desilusões amorosas, porque até mesmo os homens de bem se perdem em outras paixões, mas reduziria bastante o número de amargurados de amor. Afinal, existem muitos que se fazem de homens de bem, mas não o são verdadeiramente.

Infelizmente um código dos homens de bem não seria necessário para fazer do mundo um mundo de homens de bem. Os outros homens, os que não são de bem, continuariam a fazer suas atrocidades, cometer seus crimes, espalhar por todos os lugares do mundo a sua burrice.

Deveria existir um mundo apenas para os homens de bem…