“Walk On – A jornada espiritual do U2” (e a minha também)

Meus pais são católicos e eu fui criado como tal. O caso é que com o passar dos anos, fui me distanciando do catolicismo e, a bem da verdade, de qualquer religião. O que não significa dizer que não acredito em Deus.
 

  Não. Eu não vou aqui procurar razões para se seguir ou para não…

  Meus pais são católicos e eu fui criado como tal. O caso é que com o passar dos anos, fui me distanciando do catolicismo e, a bem da verdade, de qualquer religião. O que não significa dizer que não acredito em Deus.
 
  Não. Eu não vou aqui procurar razões para se seguir ou para não seguir uma religião. Esse é um assunto que não deve ser discutido. Principalmente em uma roda de amigos bebendo cerveja. Nessas ocasiões é quase certo alguém se exaltar, e a conversa pode acabar em briga feia, que também é quase certa de ser esquecida duas cervejas depois, já emendando nova conversa, tendo como pauta um outro assunto. Futebol, geralmente. E outra briga feia pode aparecer. No fim das brigas e reconciliações, quem sai ganhando é sempre o dono do bar. E digo isso por experiência própria.
 
  (Não que eu tenha um bar).
 
  Mas enfim. Fui escrevendo e perdi o rumo do texto. Retomo-o agora.
 
  Como eu dizia, me distanciei de qualquer religião. Hoje sei apenas que creio em Deus, e isso me basta. É claro que questionamentos sobre religião surgem, de vez em quando. Ainda mais quando se vive em um mundo no qual a fé é desculpa para atentados terroristas, guerras e assassinatos premeditados.
 
  Quando se vive em um mundo assim, o menor problema que um homem pode ter é qual religião seguir. Aquele que tiver coragem para admitir, pode não seguir nenhuma, e seguir seu caminho fazendo sua parte: sendo justo com tudo e com todos, e cobrando de tudo e todos a mesma justiça. Justiça justa, não aquela que é feita com as próprias mãos.
 
  A hipocrisia que impera entre os nossos cidadãos do mundo não me inspira qualquer sentimento de piedade para com aqueles que não têm coragem de estufar o peito e se dizer contra aS IgrejaS – é  bom destacar o plural, pois estou falando do cristianismo e todas as suas ramificações; não posso me restringir apenas ao catolicismo, quando sei que outras vertentes cristãs possuem as mesmas incongruências. Prefiro ter a amizade de um ateu correto e íntegro a ser amigo de um cristão hipócrita.
 
  Essas reflexões que acabo despejando aqui em forma de texto são resultado de anos de indignação com certas posturas daS IgrejaS, como: ser contra o uso de preservativos e sexo antes do casamento. Só para citar dois básicos exemplos. Se eu quisesse, poderia citar vários outros, mas tenho preguiça de fazer isso agora e não quero fazer desse projeto de crônica um muro de lamentações.
 
  Meu contato e minhas descobertas nas áreas da música e da literatura foram fundamentais para que eu chegasse a ter tais posicionamentos. Ouvindo e lendo bandas e escritores com diferentes pontos de vista e bons argumentos, pude traçar um caminho para tomar muitas decisões, que não são vitalícias. Afinal, qual é a graça de não poder mudar de opinião? Qual a graça de ser o mesmo cabeça dura de sempre?
 
  Nos últimos dias tenho pensado bastante sobre o assunto religião, e isso porque estou na metade da leitura do livro “Walk On – A jornada espiritual do U2”, do irlandês Steve Stockman, ministro presbiteriano na Irlanda, e que foi publicado no Brasil recentemente pela W4 Editora.
 
  Mais que uma análise das mensagens religiosas e políticas por trás dos álbuns do U2, o livro força o leitor questionar a religião dos que a pregam e a sua própria postura religiosa. O que o torna uma obra universal, pois apesar de estar ligada às canções da banda irlandesa, ela faz reflexões acerca da influência que a religião exerce sobre as pessoas em todo o mundo, e NO mundo.
 
  De brinde, ainda conta detalhes da história do U2.

  Livro fundamental para os fãs da banda, altamente indicado para quem gosta de literatura e, de quebra, uma boa base para aqueles que questionam o posicionamento cristão.