Carta a uma Amiga

Nós estamos agora passando por momentos de muita angústia, vergonha e constrangimento no País. Instantes de purgação e mudanças também. Mas eu gostaria muito de vê-la escrevendo seus próprios textos, falando de seu entendimento de vida e de mundo. Como eu queria poder ler algo extraído de suas experiências, ouvir você falar a respeito do seu próximo sonho.

Carta a uma Amiga
Por Luiz Maia
Nós estamos agora passando por momentos de muita angústia, vergonha e constrangimento no País. Instantes de purgação e mudanças também. Mas eu gostaria muito de vê-la escrevendo seus próprios textos, falando de seu entendimento de vida e de mundo. Como eu queria poder ler algo extraído de suas experiências, ouvir você falar a respeito do seu próximo sonho. Dizer bem alto de sua esperança em manter a chama sempre acesa. Dizer que jamais desespera e não deixa de crer em dias melhores. Que jamais se cansa de tentar, por mais difícil que seja o seu objetivo. O meu interesse seria o de vê-la escrevendo algo que viesse da profundeza de suas entranhas, alguma coisa que pudesse produzir nas pessoas um efeito animador. Eu peço a você nesse instante de meditação, que procure exercitar toda sua criatividade, dando asas à sua imaginação. Eu necessito beber da água de sua fonte, absorver um pouco mais de sua sabedoria.

Mais do que qualquer outro eu preciso saber de você sobre os caminhos de que ainda dispomos para seguir nessa vida, pois os meus ideais de luta envelheceram com o tempo, e hoje já não valem mais nada. Preciso urgentemente conhecer novos amanheceres, quero ver novas estradas que não foram desbravadas, onde não haja sequer sinais da maldade vinda de homens torpes, imagens que devemos deixar para trás. Preciso saber de sua disposição em falar de sua vida, pois necessito de você como nunca precisei de alguém antes. Já não existem em mim tantas certezas, verdades ou esperanças. Talvez o medo de nada acontecer. Neste momento habita em mim apenas uma forte dose de compaixão por nossas vidas, por todas pessoas de bem que, cansadas de lutarem, resolveram comigo escrever a você.

Recife, 17 de julho de 2005