Descaminhos

Costumo escutar com atenção os programas que tratam da política brasileira. Leio, também, alguns jornais diariamente. Louvo a conduta daqueles (poucos) jornalistas que dizem bem alto o que a maioria da população gostaria de dizer e que grande parte da imprensa não tem coragem de dizer baixinho, quando o assunto envolve os descaminhos escolhidos pela "laboriosa" classe política nos últimos anos neste País.

Costumo escutar com atenção os programas que tratam da política brasileira. Leio, também, alguns jornais diariamente. Louvo a conduta daqueles (poucos) jornalistas que dizem bem alto o que a maioria da população gostaria de dizer e que grande parte da imprensa não tem coragem de dizer baixinho, quando o assunto envolve os descaminhos escolhidos pela "laboriosa" classe política nos últimos anos neste País.
 
Essa gente parece que perdeu de vez o respeito com os seus eleitores, com o cidadão brasileiro. O respeito (principalmente) no trato com as coisas que envolvem o destino do País. Já não há mais sequer aquela sutil vergonha estampada nas faces (robustas e rosadas) da maioria deles. O pior é que o processo de cinismo dos congressistas chegou ao ponto de muitos parlamentares rirem dos cidadãos que, indignados com as inúmeras quebras do decoro parlamentar, cobram ações mais efetivas dos senhores deputados visando restabelecer a dignidade àquela Casa.  Só numa coisa permito-me discordar de alguns: não é o povo que necessita aprender a votar mas os políticos é que precisam urgentemente aprender a ser homens de bem.
 
Eis que uma verdade necessita ser dita sem meias conversas. No mundo inteiro nunca existiu nenhum santo fazendo política. Foram eles próprios que nos ensinaram que com o homem de bem, que envereda pelos caminhos da politica, acontece duas coisas: ou ele aceita as regras sujas e promíscuas que regem o jogo indecente dos que detêm o poder nas mãos e determinam o que fazer com o dinheiro público (quase sempre desvirtuado de suas reais finalidades, como o emprego correto na Educação, Saúde, Segurança Pública, Políticas Sociais, etc.), ou simplesmente se afasta de vez se for coerente de fato com os seus princípios éticos e morais.
 
Pelo visto, nunca a segunda opção é a preferida. Portanto, vou de agora em diante lutar em todas as frentes pelo voto nulo nas futuras eleições. Talvez essa não seja uma atitude responsável de minha parte, dirão alguns. Mas certamente é aquela que se adequa melhor à minha maneira de ser. Não há meio termo no meu modo de pensar. Ser ou não ser. Lamento profundamente por me ver obrigado a ter que dizer isso um dia na minha vida, mas essa é uma realidade dificílima de ser mudada por tudo a que assistimos no dia-a-dia deste País. Pena que tenhamos chegado a esse estado de coisas. Resta-nos apelar para que nos devolvam novamente a esperança.
 
Recife, 3 de abril de 2006