Quimeras…

Aparência de criança, desejos de mulher, desse modo eu satisfaço cada vontade tua. Como é bom compartilhar desse teu sonho reprimido. Teu corpo em minhas mãos traduz meu cenário de serenos prazeres.

Pego em tua mão e saio a passear pela cidade. Sem destino certo deitamos na relva daquele parque assombreado. Que gostoso é ver o céu nublado, sentir o cheiro de mato verde, sorver a brisa mansa e o perfume das flores a tocar os nossos corpos.
Por instantes ignoro minha realidade ao tentar realizar nossa quimera.
Nesse momento trocamos um demorado beijo, numa permuta louca de quem busca a cumplicidade acima de nossos próprios limites.
Como criança, sem transpirar maldade, fostes te apegando a mim. Gosto quando me olhas insinuando chamego. Tu sabes que eu não resisto e logo recorro aos teus carinhos. Aparência de criança, desejos de mulher, desse modo eu satisfaço cada vontade tua. Como é bom compartilhar desse teu sonho reprimido. Teu corpo em minhas mãos traduz meu cenário de serenos prazeres.
Já é noite e estamos a sós. Já não existe em nós nenhuma sensatez. Apenas o desejo de ir mais além. Contemplo o teu banhar-se, depois beijarei teu sexo na volúpia de quem te ama. Nesse momento te desnudas para mim. Aos poucos teus olhos brilham clareando os recantos escuros que habitavam em nós.
Nesse instante eu me encontro e me vejo em busca de teus lábios, já maduros pela força da audácia. De minha janela posso ver-te sorrindo, como a pensar na subversão que transformou as nossas vidas. Já não há segredos entre nós e os meus olhos podem contemplar tuas intimidades mais ousadas. Já conheço teus cheiros, teus gostos e caprichos. Hoje quero beber o teu suor.

Recife, 14 de dezembro de 2005.


Luiz Maia é Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
– Edições Bagaço – Recife/PE.