Molha a cabeça na fonte de água podre, rasga uma das barras da calça, arranca uma das mangas da camisa surrada, senta-se na saída da escada rolante do metrô, estende a mão, e pede.
– Como você consegue tanto? Deve ter aí uns quarenta reais…
– Sessenta e dois, amigo, e hoje estava fraco, longe do dia do pagamento, sabe como é…
No dia seguinte, Lulpídio não trabalhou. Comprou um maço de bom cigarro, comeu bem e pensou…
Pensou e procurou um serralheiro. Pagou os R$ 5,00 que sobraram da fartura recebida, cortando os dedos da mão esquerda, e ainda ganhou um talho bem exposto no rosto. Ficou tão feio que ninguém chegava perto para dar esmolas.
Foi recolhido pela vigilância sanitária uma semana depois, indigente que era, enterrado como tal.




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