Esta sociedade, onde viviam, tinha harmonia, equilíbrio e funcionalidade. Mas um dia alguém parou sua atividade… Olhou para o lado e procurou motivos para o que fazia, perguntou-se por que fazia aquilo e de onde vinham as matérias primas para sua atividade… O tempo em que ficou parado produziu algo desconhecido até então, a ociosidade. O trabalho de sua equipe não acabou no tempo certo ocasionando acúmulo demasiado de matéria prima para sua atividade antes de sua cela e falta de matéria prima para as celas seguintes, que, por ficarem paradas, praticaram a ociosidade mesmo sem sabê-la ou senti-la. Assim a ociosidade começou a espalhar-se, o tempo não era apenas ocupado com atividades manuais, descanso e alimentação; criou-se o pensamento e a imaginação. Logo descobrem que algo inusitado está acontecendo: a esteira por vezes carregada em excesso e outras vezes vazia vai passando a sua frente. Os produtos vão se perdendo e caindo da esteira. Então alguém foge da cela. Fora de sua atividade por todo o tempo, num mundo novo e único, apavora-se; mas logo consegue alimento e tudo o mais que tinha na cela com as sobras que caem da esteira e vislumbrando uma vastidão inexplorada.
Ao verificar-se sem atividades ou obrigações descobre outro bem para sua vivência: a liberdade. E seguem-se descobertas, pois parte em exploração ao novo mundo e percebe que existem muitas outras pessoas vivendo nesse mundo, assim como muitas outras celas espalhadas por ele onde cada um tem uma função ininterrupta, como era a sua. Descobre que no fim da esteira existem pessoas desregradas, sem capacidade para qualquer atividade, função ou mesmo exploração do que os cerca. Vivem dos restos e dejetos que passam e chegam pela esteira; é como se fosse uma cela sem fronteiras, limites ou tarefas, mas os mantém tão presos quanto aqueles que tem ocupação e função ininterrupta nas outras.




Comente!