Numa aurora como todas as auroras, com o sol raiando por trás da colina, deixando um céu alaranjado, um asno cinzento iniciava sua jornada para o trabalho. Não era um asno especial, e nem seu nome consigo lembrar. O asno vivia realizando suas burrices, e apenas isso. Mas justo naquele dia, o asno que não primava pela inteligência esbarrou com uma coruja, que ia regressando ao seu ninho depois de uma noite agitada. Todos nós sabemos da sabedoria da coruja, e de seus bons conselhos, mas justamente naquele dia ao topar com o asno, houve certa divergência, que aqui não vem ao caso, mas começaram os dois uma intensa discussão, com acusações de ambas as partes. O imbróglio perdurou pela manhã, e quando o sol, alto no horizonte, avançava o dia, a coruja sem perceber se metamorfoseara, e antes do final da tarde, havia ainda dois asnos discutindo suas diferenças.
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