Manolo sentara-se no banco de praça e com complacência passou a olhar fixamente para a palma de suas mãos. Ouvira certa vez alguém dizer que eles revelavam sobre o futuro, mas ele nitidamente percebia que tinham muito mais a ver com o passado. Em sua pele envelhecia pela areia dos tempos linhas traçadas se entrecortavam num emaranhado de linhas que provavelmente ninguém mais que ele mesmo poderia compreender. Mas seus olhos sabiam do que se tratava de um verdadeiro mapa composto por cada momento de decisão, e de atitude que tomara. Ali cada caminho escolhido era traçado com precisão que lhe permitia ver por quantas vezes mudara de direção, por quanto teve de se afastar, retroceder, e retornar ao caminho. Um traçado de linhas em continua mutação, a cada escolha que Manolo fazia.
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