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BORAT E A HIPOCRISIA ESTADUNIDENSE

No último fim de semana fui assistir ao Borat, ou, como dizem alguns com quem conversei, o filme daquele maluco que coloca a sunga no ombro para tomar sol. Devo dizer que, além de crítico, o filme é deveras engraçado e que vale à pena ir ao cinema para assistí-lo. Basicamente, o filme se trata de repórter do Cazaquistão que vai aos EU&A (grande país, o mais poderoso do mundo), fazer um documentário para apreender com os estadunidenses ensinamentos que poderiam ser reutilizados em sua terra natal. Chegando em Nova Iorque e se apaixonando por Paméla Anderson ao ver Baywatch no quarto do hotel, ele decide ir à Califórnia para se casar com ela. Compra uma furgãozinha de sorvete para sua empreitada e vai registrando suas entrevistas conforme vai passando pelo interior dos EU&A.

Apesar do extremo exagero, e até, do mal gosto em algumas brincadeiras propostas por Borat (como a briga entre ele e seu produtor no hotel), o objetivo do filme é mostrar a hipocrisia da cultura estadunidense. Mostrar como este povo vive de uma imagem constituída externamente, mas que, internamente, é exatamente o oposto daquela imagem que querem passar. É o caso de eles não tolerarem piadas racistas contra os negros, mas tratá-los como merda, como ele mostrou no caso daquela prostituta que ele convidou para o jantar. Assim, Borat utiliza suas brincadeiras e o caricaturismo para confrontar esta dita estima por valores como a liberdade e democracia, que o povo estadunidense diz ter em maior grau do que os outros povos, com a realidade dos verdadeiros sentimentos que ele captou com sua câmara ao filmar legítimos representantes deste povo. Este é o caso do velhinho homofóbico, no rodeio; o dos meninos que dizem não ter nenhum respeito pelas mulheres, no trailler; ou o do já citado desprezo daqueles anfitriões esnobes pela prostituta negra que Borat convida para o jantar.

A conclusão que Borat nos faz chegar, ao fim do filme, é que os Estados Unidos não tem nenhum ensinamento válido para o Cazaquistão ou para o mundo. Usa a imagem de Paméla Anderson na sessão de autógrafo de seu livro (sic!), para associá-la com a imagem daquele país, isto é, um país tão "fake" quanto os peitos siliconados que ela ostenta. Tão "fake" quanto aquela mesma sessão de autógrafos, onde se via que ela gostaria de estar fazendo qualquer outra coisa no mundo, menos assinar aqueles livros para os "seus fãs".

Portanto, àqueles que ainda não assistiram o filme, recomendo fortemente que vão ao cinema preparado para dar umas boas risadas de piadas que não são politicamente corretas, mas que expõem a vida como ela realmente é, não só nos EU&A, mas em todo o mundo. Quem não tem um vizinho chato e invejoso? Quem nunca ouviu histórias de maridos que querem que a mulher morra? Que nação não sofre problemas de racismo, machismo ou homofobia? Não ver isso, é querer tampar o sol com a peneira e, no caso deste filme, nem é a mensagem central do autor, que está mais interessado em apontar o quão hipocritamente a dita "maior e mais poderosa nação do mundo" trata o tema, preferindo se esconder atrás da liberdade e democracia, ao invés de assumir que seu povo é tão racista, machista e homofóbico quanto tantos outros ao redor deste planeta.

Roger Beier

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