Luiz Maia
Louvo a atitude da valorosa estudante ao expôr seu ponto de vista, principalmente por denunciar o fato de muitos não se importarem com a falta de empenho nas tarefas desenvolvidas no transcorrer de cada ano letivo, por parte daqueles que deveriam ser mais cientes de suas responsabilidades. Sobre o Enem a estudante fez sérias restrições devido à falta de aprendizagem básica. Creio que ela tem toda razão pois no meu entendimento o Enem serve apenas como instrumento de aferição de um panorama do ensino no País, embora não condizente para selecionar alunos. Neste caso eu me permito fazer a seguinte comparação: como você classificaria o aluno que viesse a se submeter a um teste de direção no trânsito, sem nunca ter aprendido a dirigir na vida? Imagino que o resultado não poderia ser pior. Talvez essa figura possa explicar melhor.
A respeito das chamadas "cotas raciais" implantadas nas universidades eu entendo que servem apenas para legitimar o péssimo ensino público, além de contemplar a incompetência do mau aluno, conforme nos assegura aquela estudante. Eu gostaria de acrescentar que essas "cotas raciais" servem apenas para despertar a consciência de que hoje o País dispõe de fato de um sistema universitário à beira da falência, correndo sérios riscos de perder definitivamente a credibilidade de que ainda dispõe. Todos nós gostaríamos de dizer o contrário, mas como negar o que nos parece o óbvio?
Lamento que a falta de planejamento no Brasil tenha causado inúmeros prejuízos, por seguidos anos. Não se vê o governo preocupado com ações concretas a médio e longo prazos. Assistimos à incompetência crescente que só vem colaborar para que ocorram projetos equivocados de inclusão social, contribuindo assim para que fatos dessa natureza surjam do nada. Resta-nos aguardar que a voz da estudante seja algum dia realmente considerada, e o País volte o mais breve possível suas atenções para a necessidade de se implantar uma educação de qualidade para todos os cidadãos, independente de serem negros ou brancos, ricos ou pobres.
"Não entendo a vida sem os gestos de carinho entre pessoas que se querem bem, muito menos sem as necessárias atitudes e ações solidárias vindas até mesmo de pessoas que nunca se viram antes."
Luiz Maia
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Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos" e "À flor da pele". Recife-PE.




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