Simplicíssimo

Todynho e Menescal

– Vamos lá, começando mais um Jojo nove e meia. Hoje trazendo um superconvidado aqui pro meu sofazão-cafofo. Ele é um dos fundadores da Bossa Nova, meu querido Roberto Menescal! Vem com a Jojo Todynho, meu amor.

– Como é que é mesmo aquela do Barquinho?

– Dia de luz, festa de sol e o barquinho a deslizar, no macio azul do mar…

– Ah, mas você sabe que eu tenho a minha versão, né?

– Jura? Canta aí que eu te acompanho.

– Caixas de Bis, latas de Skol, a Jojo fugiu do spa, tá comendo sem parar…

(Palmas do auditório)

– Sei lá, acho que a gente bem que podia formar uma dupla né? Todynho e Menescal, talvez Menescal e Todynho, precisa ver o que soa melhor. Tem que estudar a fonética dos achocolatados, pra depois ver se rola sucesso na numerologia.

– É, se bem que a minha praia não é bem o funk, não. A coisa comigo é mais contida, mais banquinho e violão.

– Sei, zona sul, né não, celença? Nessa Bossa Nova que vocês inventaram aí é tudo no diminutivo… é amorzinho, é banquinho, é barquinho, é beijinho. Aquele negócio de peixinhos a nadar no mar, de beijinhos que eu darei na sua boca, coisa mais delicadinha, sem pegada! Pô, bota sustança, tasca um sarapatel nesse mingauzinho enjoado aí, nessas letras! Parece até que uma Tamanho Especial, uma Extra Plus Size que nem eu não pode inspirar uma bossa, né? Cê acha, ô Menescal, que pra mim tem que ser um funkão, daqueles bem groove, fala sério…

– Não, aí eu não concordo com você, Jojo. Veja o seu próprio nome – Todynho. Também é um diminutivo! A Nara, que foi a musa da Bossa Nova, seria um retumbante fracasso se fosse por aí. Ela era a Nara Leão, no aumentativo, e um leão não teria uma vozinha delicada como a dela. Fora que, antes de você, já teve um Jojo que ganhou fama mundial. A música “Get Back”, dos Beatles, conta a história de um Jojo: “Jojo was a man who thought he was a loner”…

– Uau! Ou melhor: wow!!! E não é que a Jojo aqui já foi letra dos Beatles!!! Agora é que a Todynho não dorme nunca mais.

– Menos, Todynho, menos… o Jojo aí é outro.

– Ah, é? Então vai ter que pagar os direitos pra mamãe aqui, por uso indevido do nome!

– Jojo…

– Oi?

– “Get Back” é de 1970.

Esta é uma obra de ficção.

© Direitos Reservados

Marcelo Sguassabia

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