Simplicíssimo

Em quantos Rounds se faz uma boa série?

Seria uma série, o Brasil ou o mundo? Como toda obra, quando deixa a mão do autor e ganha o mundo tem vida própria, mas de qualquer forma, sabemos que algumas coisas não são.

Round 1
Será que é o que parece?

Uma série deve usar um monte de elementos familiares às pessoas:

Quem sabe um círculo, um triângulo e um quadrado?

Ou jogos infantis que todo mundo conhece?

Folha de S.Paulo on Twitter: "O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) está sendo  criticado e acusado nas redes sociais de desonestidade intelectual e de  divulgação de fake news após fazer um post associando “
Ou bonec@ assassin@?

  1. Não caro nobre ilustríssimo ignorante, o dinheiro só cai do céu para quem tem apadrinhamento político em qualquer regime;
  2. Não caro nobre idiota, os governos de todas as ideologias controlam a comida no mundo todo, de várias formas, com subsídios para os agricultores (em países ditos liberais), preços abusivos e desinformação;
  3. Não caro nobre manipulador de gado, Vigiar pessoas 24h horas por dia é burrice, a não ser que você use seus dados para lucrar mais em redes sociais bem conformes com o sistema de seus países (vide o facebook, instagram e whatsapp);
  4. Não caro nobre inocente útil, qualquer regime mata seus opositores. Quanto mais democrático for, mais velados tem que ser os crimes, no Brasil se matam ativistas de inúmeras áreas, vereadoras contra as milícias, quase presidentes para colocar um Sir(ney) no lugar e teve até senador que afirmou que iria matar o próprio primo, caso fosse delatado;
  5. Não caro nobre pobretão de direita, meia dúzia de bilionários tira proveito do trabalho árduo de todo mundo, inclusive o seu, Kata esta Kim…

Round 2
Quanto violenta e imoral deve ser uma série para fazer sucesso?

Caro bicicleta, a violência terceirizada idealizada por alguém que parece frágil pode ser um ótimo começo para explicar isto? Falar sobre matar alguém é só falar?

Caro rei sei i, um bandido que faz os outros matarem pessoas por ele. Tanto os que trabalham com ele quanto os próprios jogadores que se matam entre si, para diminuir a concorrência, não seria o vilão? Qualquer semelhança com o capitalismo será mera coincidência?

Apesar da Hanna Arendt ter se referido ao nazismo quando fala da banalização da violência, parece que a humanidade ainda precisa se impor, como um adolescente, aos pretendentes de suas possíveis conquistas amorosas. Caro meu arco, será que ainda vivemos em um lugar em que não há espaço para todos?

Veja Mona, a escalada na hierarquia do sucesso torna todos violentos de alguma forma, credores e devedores, jogadores, subordinados e chefes. Só existe um cargo de gerente, somente um CEO… O dinheiro nas mãos de poucos faz muitas vidas serem dispersadas, seja através de sonhos impossíveis, seja por incapacidades inatas ou herdadas.

Caro colega do Igor, qual é o valor principal, ser bilionário ou fazer todos terem uma vida digna? No sistema em que vivemos, vidas importam, mas sabemos que algumas vidas importam mais que as outras e isto é visto como algo natural.

Prezado youtuber, será que a individualidade pode suplantar o coletivismo? A natureza por si só é violenta com os indivíduos, mas o ideal de sociedade não é sem violência?

A competição pela vida é de um indivíduo de uma espécie contra outro indivíduo de outra e, no caso, pode ser que tenhamos uma grande chance de estancar isto para sempre a partir de alimentação celular.

Pesquisa da UFPR aborda a carne celular, um produto cultivado em laboratório com células de animais

Round 3
Meio bons meio maus

Prezada dupla, apesar da violência ser explícita, notamos que já é possível mostrar personagens como eles são na realidade, um misto de bons e maus ao mesmo tempo. Todos temos ambiguidades. Ainda que nos compadeçamos de cada um dos personagens, vender a mãe não deveria estar nos planos de ninguém, seja tirando ela de um plano de saúde ou não interferindo quando uma empresa que se diz preventiva.

Notem: sem investigação e problematização não chegamos a uma solução satisfatória, opiniões e percepções são sempre construídos. A justiça não se faz pelas próprias mãos,

Quando se fala de liberdades, claramente a favor de pequenos grupos, a “cooperação” demonstrada ali é necessária pela sua própria sobrevivência. Coletivismo é se dar conta que todos poderiam viver, simplesmente sem puxar a corda, no jogo do cabo de guerra, por exemplo.

Ainda que vocês tenham um sucesso relativo, vocês (e todos nós) tendemos a aceitar tacitamente as regras de um jogo feito para a maioria perder.

Acredito que é possível entender Wittgenstein e a verdade está no jogo, quando percebemos que temos que deixar uma série de questões para acreditar que aquilo deve ser feito de determinada maneira.

A verdade e uma redução da vida. Ao contrário do que diz Platão no mundo das ideias, as categorias próximas a vida são aquelas mais próximas da verdade, a verdade é um congelamento, necessário para as relações, inexistente no mundo.

Não acredito em um mundo descongelado*, porém em um jogo em que os perdedores saiam com dignidade, com um colchão confortável, uma boa noite de sono e fartura de bens considerados de necessidades básicas. Educação, saúde e alimentação garantidas.

Ligar o bem ou o mal do mundo a existência de um ser, é uma tentativa de congelamento:

Round 4
Muito além do bem e do mal, filosofia pura ou filosofia barata?

Caro jogo de memória, caro fluxo, ainda que com um argumento pífio, uma série pode usar e abusar de filosofia, de obras de arte famosas, elementos e cores básicas (círculo, quadrado, triângulo, cores complementares (verde e rosa) e cultura pop mundial. Quanto mais a gente tem conhecimento, mais a gente percebe coisas.

Escher (seria uma maneira de dizer que o nosso mundo não tem pé nem cabeça?), Lego, máscaras…

Por outro lado, pode parecer fácil para vocês, já que a série abusa de tantos elementos conhecidos que traz um conforto ao espectador, além da temática chave que não é nova, surgiu no Japão nos anos 90 (versão nova) (Batlle Royale) e se segue por: jogos vorazes, jogos mortais (já adaptações em outras culturas) e muitos outros, é perfeitamente entendida na maioria das culturas: o perdedor morre.

Um exemplo bem antigo de “mortes” é o antecessor do xadrez, a chaturanga é um jogo Indiano que se acredita ter sido criado no século VI da era comum e o objetivo já era a captura de peças (as peças deixam o jogo) (claro que não eram os jogadores). Já no mundo dito ocidental, as arenas romanas eram palco de mortes sangrentas e, não por acaso, tinha alguém que podia interceder pela vida de algum dos gladiadores (para variar, o imperador).

Além de elementos da sua própria cultura que passa desapercebido da maioria da população do mundo. Porém, com o advento da internet podemos ouvir a opinião de nativos sobre a produção –

https://www.youtube.com/watch?v=6x3IAOThppQ.

Na Coreia os símbolos utilizados são letras, sendo o círculo uma consoante sem som… (ver alfabeto Hangul – https://www.youtube.com/watch?v=Y-16BA445_k

Entender a cultura e descobrir os discursos que a formam pode ser uma forma de estudar as relações estabelecidas na população.

Round 5
O jogo

Digníssimo fluído, honorável descendente de imigrantes, todo este espetáculo é feito para parecer que a gente sabe, porém a gente não sabe. Duas perguntas sempre são base: Nietzsche – “para quem serve isto?” “O que tem por trás disto?”. Quando políticos querem fazer mudanças nas leis, a pergunta sempre deve ser, qual o objetivo para além da argumentação. Qual o contexto que ela está sendo pronunciada.

Ao aceitar qualquer jogo, as regras não são compreendidas de forma completa e as regras vão sendo reveladas (e/ou estabelecidas) conforme a passagem do tempo. Assim como a ética vária, regras também variam com o passar do tempo, basta ver o que acontece nos seus mundos, como funciona um congresso ou um patrocínio de uma empresa duvidosa:

Round 6

*as amarras para conseguir lidar com o dia a dia são as mesmas amarras que nos prende em um mundo que a visão congelada (estrutura religiosa do pensamento).

Foto de Vadim Bogulov obtida no site Unsplash.

Pedro Armando Furtado Volkmann

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