Simplicíssimo

Mestre Duña e o voto impresso

Preleção do Venerável à frente de uma barraca de churrasquinho grego, em Nova Iguaçu – RJ.

Muito tem me entristecido, ó amantíssimos discípulos, o que venho assistindo, lendo e escutado ao pé do ouvido sobre a questão do voto. Se impresso, se eletrônico, quiçá de castidade ou de pobreza…

– OOOOOOOOOOhhhhhhhhh!!!!

O queridão do chiqueirinho parece buscar, ele sim, a oportunidade de fraudar, e não de evitar que haja fraude. Isto é cristalino como as águas do Tietê em 1762.

– OOOOOOOOOOhhhhhhhhh!!!!

Pensem, pensem, pensem um pouco e duvido que não me deem razão, tão logo se concluam suas primeiras sinapses. As possibilidades de manipulação dos resultados são todas e mais algumas. Na colocação da cédula na fenda, na lacração das urnas, no transporte delas para os locais de apuração, na posterior abertura, na conferência pelos fiscais dos partidos e até mesmo na contravenção máxima – a de virem estes a disputar uma partida de bafinho, para espantar o sono na alta madrugada, tendo os votos no lugar das figurinhas!!!!!

– OOOOOOOOOOhhhhhhhhh!!!!

É o famigerado tiro no pé, pois o pitecantropo do Paranoá foi, ele mesmo, eleito eletronicamente. Continuar disparando esta metralhadora de mi-mi-mis é questionar o próprio pleito em que sagrou-se vencedor.

– OOOOOOOOOOhhhhhhhhh!!!!

Guardadas as devidas proporções, isto faz me lembrar um episódio da minha história de vida, que guardo na memória com o mesmo zelo que dispenso à pequena girafa de resina que ganhei de Tia Ruth, em meu sexto aniversário.

Antes, muito antes de renunciar às tentações do mundo e abraçar de vez o ministério profético, servi como taifeiro nas Agulhas Negras. À época, um rapaz, branco como palmito, de cabelo repartido e dado a imitar Hitler com um pente flamengo sobre o beiço e a armar bombas para explodir no paiol de feno, cismou de candidatar-se à presidência do grêmio dos cadetes. Não havia outra chapa concorrendo, de modo que a chance de insucesso do palmito era remota. Ainda assim, nosso tenro pupunha tremia como uma vara verde só de pensar na eventualidade de uma derrota acachapante. É, coisas do passado… mas, onde é que eu estava mesmo?

Esta é uma obra de ficção.

©

Marcelo Sguassabia

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