Simplicíssimo

Fim de Noite

Eu tenho medo
De desligar a TV à noite
Quando todo mundo vai embora, meu reflexo na tela, e a escuridão tenta me engolir
E cada passo meu pode ser ouvido à kilômetros
Fico sozinho no silêncio, andando com cuidado, sem fazer barulho
Como quem tenta fugir do local do crime sem deixar vestígios

O “Fim de Noite” começa e o sono me vence
A sensação de mais um dia desperdiçado rouba a cena

“Boa Noite — (2ª Edição) — Fique agora com o seu travesseiro”



Mas o que eu gosto mesmo é de sair sem rumo, olhando para dentro das casas, imaginando como seria minha vida se ali eu morasse. Uma luz acessa num apartamento, roupas penduradas no cabide, muitas televisões ligadas. Ora, ora, já é hora de dormir! Um casal de namorados, ou amigos jogando cartas? E se eu morasse ali? E se eu fosse dessa família? Fecharam as cortinas na minha cara, acenderam mais uma luz. Tem um ali tomando banho, olha, que quadro bonito e eu aqui fora, na garoa, olhando pra dentro da lotação. Uma moça fumando na janela, observa as pessoas na rua. Ela, como eu, observa. Eu, daqui pra la, ela, de la pra ca. De repente, cruzamos olhares. Não sei ao certo o quê, mas a gente se entendeu; eu mudei de casa, ela mudou de pessoa.

Rodrigo D.

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