Simplicíssimo

Estas botas foram feitas para andar

A botinha com laço de seda de setim lhe dava ares juvenis, ajudados pela bermudinha de risca de gis e a camisa de manguinha sem o casaquinho. O cabelo preso num rabo de cavalo, o batom, e o lenço comprido usado no pescoço, como um cachecol para dias quentes. Sorria um sorriso luminoso e alegre, e contagiava as pessoas. O lápis nos olhos e os cílios bem curvelínios deixavam seus olhos grandes e hipnóticos. E lindos. Jabuticabas, era como seu pai falava de seus olhos, bem pretos e bem grandes.

Seu caminhar pelas calçadas reformadas da paulista não era sensual de propósito, talvez aí mesmo estava a sensualidade da cena, aquela beleza ingênua e natural, tão rara. Ela gostava de se cuidar, e de cuidar dos outros, mas fazia as próprias ternuras baseada no seu gosto e agradar a sí mesma. Tão raro isto hoje. E ela caminhava cheia de graça, longe de Ipanema, mas todo mundo se balança quando ela passa.

A delicadeza de seus gestos cadenciados, sua rotina no trabalho, às vezes e bem de leve, chegava a irritar sua agenda RedFax com cara de nova, depois de três anos que ela a usava. O celular sem um arranhão. Ela é uma bonequinha, destas que gostamos de olhar na rua, que dá vontade de abraçar e proteger, pincipalmente por causa daquela botinha, linda, com aquele laço de setim que lhe dava ternura e beleza, num cadenciado caminhar pela Paulista.

Luiz Emanuel Campos

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