Simplicíssimo

MANIFESTO

MANIFESTO

Por Luiz Maia *

A mais recente Operação da Policía Federal, que desarticulou uma suposta quadrilha fraudadora de licitações para realização de obras públicas, é apenas mais uma entre outras que já caíram no esquecimento. Talvez resida na Polícia Federal a última trincheira de esperança em ver este país livre dos gatunos de plantão. Causa-nos estranheza o fato de que apenas a prisão dos chamados colarinhos-brancos tenha repercussão, a ponto de saírem em defesa dos possíveis culpados não só autoridades constituídas, como entidades representativas de classe, renomados homens públicos e alguns aloprados. Lamentavelmente não se verifica veemência semelhante na defesa de acusados pertencentes às periferias, guetos e favelas das grandes cidades. Todas as pessoas que se dizem responsáveis, ou presumidamente sérias, só uma coisa teriam a fazer neste instante: aplaudir de pé as instituições republicanas Polícia Federal e Ministério Público. Deveriam reconhecer o belo trabalho executado e jamais lançarem dúvidas sobre suas ações moralizadoras. Parece que se vive adormecido na contramão do tempo. Quando afinal este país vai tomar jeito? Dizem que tantos escândalos só acontecem porque se é um povo de índole dócil, submisso e sem nenhum poder de ação. O brasileiro precisa sair do seu habitual comodismo. Deve reagir tentando com isso mudar a própria história. É agora ou nunca.
Ao longo da vida a população pareceu indiferente ao processo de banalização da corrupção generalizada. Ao contrário deveria cobrar da classe política brasileira a forma errônea como são conduzidas as ações governamentais em todas as épocas e áreas. Inexiste um mínimo de compromisso com a ética por parte das classes dirigentes deste país. Tornou-se comum não se pensar no amanhã, somente no circunstancial. Não há um só projeto a longo prazo que mereça de nossos gestores prioridade absoluta. Nunca se pensou nisso. As ações tomadas visam interesses a curto prazo, muitos dos quais reconhecidamente escusos. Esses fatores levam a crer que se vive numa pseudo democracia, democracia privada onde apenas alguns se locupletam da fatia do bolo produzido e recheado com o dinheiro da sociedade.
A legislação eleitoral anacrônica serve aos interesses dos maus políticos. Tem-se a certeza de que é tarefa impossível se viver no Brasil honestamente. Todos os dias mais sinais surgem apontando para facilidades que levarão pessoas de caráter duvidoso a delinqüir. Aquele que não tiver estrutura moral para suportar tais acenos certamente se corromperá. Os exemplos vêm dos mais altos mandatários ao mais humilde dos camelôs. Uns falsificam licitações públicas, muitos criam dificuldades para oferecer facilidades, enquanto outros vendem produtos pirateados a céu aberto. Juntos imaginam que são "espertos". Desse modo todos se nivelam ao que de pior existe, sucumbem aos acenos da criminalidade. Lamentável é o fato de se aceitar calado as falcatruas vindas de pessoas promíscuas, gente que jamais se envergonhará do desvio de verbas públicas para contas bancárias nos paraísos fiscais. O maior dos escândalos é a facilidade que se tem de não se indignar com as práticas espúrias no curso da história. Desse modo tudo permanece como está…
Seria oportuno ver o povo nas ruas novamente dando largada a um movimento que proporcionasse alento aos brasileiros. Um movimento saído das entranhas de um povo que se sente roubado, vilipendiado, enganado, visando mudar a história deste país. Algo que resgatasse sobretudo as forças positivas da vida pública. Parece que só restou ao povo a chance de ver televisão, ir aos estádios de futebol, depois se enganar votando a cada dois anos para legitimar uma democracia falida, cujo sistema se iguala ao dos piores países do mundo. Claro que existem várias razões para se pensar assim. Há uma carência na renovação de cabeças pensantes, um vácuo enorme de homens públicos competentes, responsáveis e capazes. Pessoas sobretudo honestas e que tragam para si a responsabilidade de fazer deste país uma Nação pródiga e respeitável. Quem sabe um dia o país emergirá do lodo em que se encontra, passando a ser uma referência mundial de pujança e o seu povo, um modelo de resistência e perseverança na luta por um mundo melhor? Talvez um dia. Quem sabe talvez…
* Luiz Maia é brasileiro, casado e feliz no plano individual. Coletivamente entende que é preciso transfomar o senso crítico da sociedade em ação para que possamos usufruir de um país com oportunidades para todos.

Luiz Maia

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