Simplicíssimo

Johnnie e a Moça

– Boa noite, moça.

– Oi, fortão. Até que enfim este elegante e bem apessoado cavalheiro me dirige a palavra.

– Achei que você não ia querer saber de conversa comigo.

– Um tipão como você com autoestima tão baixa, que desperdício! Quantas moças como eu não dariam cada gota de suas latas para uma chance com você, seu lindo. Só no Atacadão que tem aqui perto são mais de três mil e duzentas.

– Vem sempre aqui no bar?

– Ultimamente não tenho saído da prateleira, assim como você. Com essa pandemia que não acaba nunca, não creio que a gente saia daqui tão cedo, Johnnie.

– Eu ia me apresentar. Como sabe meu nome?

– Tá escrito no rótulo, né? Não sou analfabeta. Já eu sou moça, e é o que basta, moça simplesmente. Não tenho nome, não. Já pensou se tivessem que batizar cada uma de nós?

– Se for por esta lógica, eu tenho milhões de homônimos pelo mundo. Alguns cheinhos, sendo transportados em navios e aviões cargueiros, muitos falsificados, outros pela metade e a maioria no berro. Mas, vamos direto ao ponto: de zero a dez, qual a chance da gente se misturar gostoso naquela coqueteleira ali?

– Eu diria nove. Mas com tão pouca gente no bar, esse mexe-mexe é bem improvável… Na qualidade de moça, eu entro em alguns coquetéis, não vou mentir pra você. Mas sou mais requisitada na mistura com cachaça, vodka, licor de cacau ou conhaque, pra fazer “meia de seda”. Uísque geralmente tá fora da receita. Pena, viu.

– Vem cá!

– Vem você… não é você o “walker”, o caminhante? Pois mostre que, além de elegante e bonitão, é também um cara gentil. Larga este rótulo quadradinho e vem aqui rodear as minha redondezas. Estou louquinha por um assédio, sabia?

Esta é uma obra de ficção.

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Marcelo Sguassabia

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