“Sozinho no escuroqual bicho-do-mato,sem teogonia,sem parede nuapara se encostar,sem cavalo pretoque fuja a galope,você marcha, José !José, pra onde?”Carlos Drummond de Andrade
E agora Brasil? Pra onde você caminha? Quem és tu? Quem organiza-te? Que te preside? Quem te governa?
Creio que o Brasil nunca esteve tão “José” como hoje. Essa última semana evidenciou tamanha confusão no cenário nacional, que resta a nós, povo brasileiro, nos questionarmos qual o nosso papel na sociedade. Ou ainda, que sociedade é essa que formamos.
A estrutura governamental brasileira, seguindo a inspiração de Montesquieu, é a dos 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada poder tem a sua função e se inter-relacionam, contudo mantendo sempre a independência de cada um. O legislativo formula leis, o executivo as colocam em ação e o judiciário fiscaliza o cumprimento de cada qual perante sua determinada função.
Entretanto, essa semana o Judiciário ampliou a lei da união estável para os homossexuais. Sem entrarmos nos méritos morais da causa, o judiciário realizou uma função que é do legislativo. Isto é, infringiu a tripartição do poder.
Enquanto isso, a maioria dos casos de desvio de conduta dos governantes é fiscalizada e julgada por eles próprios na câmara dos deputados e no senado. Por isso, as coisas sempre acabam em PIZZA no Brasil, pois esta é a função do JUDICIÁRIO.
Outra questão, essa semana o Código Florestal não foi votado no legislativo, porque iria ser aprovado um artigo que atrapalha os interesses do EXECUTIVO, de modo que o partido dos Trabalhadores, para evitar prejudicar sua presidenta politicamente, interferiu na votação. Quando o PT percebeu que a própria base aliada aprovaria do Código, eles se negaram a votar. O que aconteceu, a votação foi invalidada por falta de quórum, mesmo estando todos presentes.
E ninguém faz nada contra esse absurdo.
Por que???? Porque o Judiciário que deveria fiscalizar está criando leis que não são de sua alçada.
Para terminar bem a semana, vi na noite da última sexta-feira, uma reportagem mostrando que os livros didáticos no Brasil, flexibilizaram o uso do Português, no próprio livro, ensina que falar: “Os livro”, está correto. A autora do livro defende o modo “popular” com que se fala. Esse livro será usado nas escolas públicas do Brasil com o aval do MEC. E ainda mais, quem corrigir uma pessoa que não sabe falar a língua culta, está cometendo PRECONCEITO LINGUISTICO. Se o Judiciário ver isso, vai criar uma lei para punir tamanha ofensa.
Para me adequar as novas leis gramaticais divulgadas pelo MEC, não farei uma revisão deste texto para publicá-lo. Se tiver erros, não os aponte, nem os corrija. Pois você está cometendo um PRECONCEITO LINGUISTICO para comigo e posso lhe processar.
O que dizer perante tudo isso?
Não sei. Se alguém souber, me diga.
O Brasil é cada dia mais inefável.




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