Simplicíssimo

Autor - Líria Porto

dia-a-dia

domingo ia à missa
segunda rezava o terço
na quinta maria das quantas limpava o quarto e punha o lixo na cesta
no sábado vinha um soldado tirar-lhe as teias da aranha
nu tempo restante

para afofar a terra

minha casa era um canteiro e quatro flores formosas perfumavam o ar o tempo passou cresceram quiseram ser borboletas bateram asas sou jardineiro fiquei se antes plantava filhos agora semeio versos (e cá entre...

achados e perdidos

um verso azul de rimas celestes daquelas afundadas quando o mar se encrespa um verso vermelho ponta de punhal caldo borbulhante notícia de jornal um verso verde jogado no deserto a morrer de sede entre galhos...

velório

é meu o corpo por quem choram e recebem pêsames
não preciso lágrimas e as palavras que trouxeram chegaram tarde
durante meu calvário senti-me um fardo
agora podiam ir embora

intimidade

passa a roupa avesso direito frente costas costuras gola cós barra
ele vem abraça-a faz-lhe cócegas amarrota tudo
dão risadas

atração

são joão tão bonito naquela bandeira e eu tão aflita entrei na fogueira a vida era boa tirei tal aproveito subi no seu colo deitei no seu leito queria um beijo primeiro da fila dos seus olhos...

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