Simplicíssimo

O Corpo em função da Mente

O CORPO EM FUNÇÃO DA MENTE

Parece não ser totalmente equivocado conceber que a finalidade de toda a estruturua corporal seja manter o cérebro convenientemente alimentado e ativo, para nele habitar o intelecto, a mente. As criaturas desprovidas disto serviriam somente aos papéis determinados pela cadeia alimentar.

Um forte indicador é o fato de o cérebro sobreviver ao corpo – ainda que por poucos minutos – e só morrer pela falta de oxigênio, já que o coração, neste caso, haveria abandonado suas funções. Por outro lado, um corpo sem cérebro é tão útil quanto um descaroçador de figos.

Nós somos nossa mente, já dizia Descartes.

Se o corpo é a morada do cérebro e, por conseqüência, do intelecto e se – segundo a tradição religiosa – esse mesmo corpo é também a morada do deus, então isto implica em que o deus é nossa mente ou nossa mente é o deus, ou que o deus está em nossa mente ou nossa mente nele.

Se o deus for nossa mente, então ele nos é, pois também nos a somos. Se nossa mente for o deus, então nós somos ele, pelo mesmo motivo. Por outro lado, se o deus estiver em nossa mente será parte nossa e, portanto, nos comporia, nos sendo da mesma forma. E se a mente estiver nele, então seremos parte dele, ou seja, seremos também o deus.

Sendo ele nós, então somos todos parte do deus, e assim compomos tudo nele, inclusive toda a criação e sabedoria. E nós o sendo, então também nossa é toda a criação e sabedoria.

Admintindo-se que esse deus tenha criado o homem e tudo o mais, isso nos faria criatura e, segundo o que foi visto, criadores.

Ora, se o homem é criador e, por outro lado, também a criatura, então o homem é sua própria criação; ou seja, o homem é fruto de sua própria mente, já que o homem é sua mente e sua mente é deus. Se nós nos criamos e nós somos o deus, então o deus criou-se a si mesmo. Como a criação é um processo constante, deduzimos que se deixarmos de criar então deixaremos de existir e todo o universo entrará em ação inversa, fazendo-nos concluir que somos o início e o fim, a explosão inicial do universo e sua contração final.

Por outro lado, se somos criação de nossa própria mente – por sermos criadores e criaturas – e o que nela se passa não é de fato – não ocorre de modo concreto –, então somos meras abstrações de nós mesmos. E como o abstrato somente existe enquanto o sujeito que abstrai existir, ocorre que, por sermos abstrações, sem haver quem nos abstraia, não existimos.

Leandro Laube

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