Simplicíssimo

Uma Janela para Tóquio

Tóquio: cidade-solidão!… (será que existe esse termo?)… Se não existe, não importa! Pois é assim que a sinto agora! Vendo, da janela de meu quarto, essa vastidão de luzes… Não um caos de néon, tão comum nas grandes cidades. Mas sim de luzes simetricamente dispostas.Um espetáculo visual. Mais uma prova da infinita capacidade japonesa para construir com eficiência e organização! Prédios erguidos em menos de uma semana (lembro de ter passado ali somente há alguns dias e – juro! – não havia nada além de materiais empilhados em um terreno baldio! E vejam agora: um gigante de concreto que toma a forma e o tamanho… de um prédio habitacional). O segredo? O trabalho em grupo. A capacidade japonesa para organizar-se e cumprir ordens para um fim comum. De unir-se para o trabalho… (…) Mas somente para o trabalho! Sim, meus amigos: uma união que, infelizmente, não se estende às relações pessoais. Porque, agora mesmo, observando uma cidade cujo silêncio é quebrado somente pelo barulho dos trens, vejo também uma cidade de portas fechadas. Como que anunciando: “Yamete! (páre!) Não invada minha vida!…” E, todas as manhãs e noites, vendo pessoas no elevador a quem voce diz “olá” (ohayou, konnichiwa…) e que preferem morrer a responder ao cumprimento, então, penso: Por que esse mau humor? Serão realmente felizes? E, sem resposta, imagino-me saindo às ruas, trajado de minha arrogância ocidental, para interpelar os japoneses e perguntar-lhes: “Ei, Nihonjin, por que esse mau humor? Você é feliz? (shiawase desuka?)”. E eles, claro, assustados com aquele estrangeiro – gaijin maluco! – apressariam o passo, tentando se livrar… (…) Eu, porém, não desistiria e continuaria a persegui-los. Até perdê-los. Cego pelas luzes de Tóquio…

Edweine Loureiro

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