Simplicíssimo

Guerra

Isso aqui está muito ruim. Desde que há muito tempo, desde que há anos o dia começou chuvoso e chumbo.

Como isso mexe com os humores! Quase tão poderoso quanto a lua na maré. Aperto os dentes até me doer a cabeça. Vibrar de ódio, pensamentos fixos, olhar vidrado, vidrando mármore negro. Água fria, vento frio. Noite o dia todo.

Não vejo o fim, não há fim. Minha esperança.

Sobre e desce, passo firme, pernas bambas. Fome frio e asco. Nada muito profundo, mas tudo com a marca d’água do vazio, do sem-sentido; guarda-chuva sem tecido. O lixo do homem.

Penso pensamentos descartáveis, descartáveis soldados rendidos. Uma trincheira cheia de cadáveres jovens – Inocentes? Nunca.

Sair de farda, sair da farda. Poucos, muito poucos estão armados, ou são preparados para enfrentar e estreitísse da garganta ou a acidez de saliva, e então morrem entrincheirados e jovens, inocentes jamais! Quem veste farda não é inocente, mesmo sendo, não é.

Coisas do noite-a-noite não são guerreiros, são obrigação, para isso é que estás aí.

Mas guerra é guerra, e quando o toque de recolher acolhe estes mimos, é hora de encarar, encarar o espelho. – Opressão? Não! Opressão eu como no café da manhã, isto é muito mais! Amassado como latinha, enlatado como sardinha, temperado com óleo, pó, e cinza-chumbo, prata suja, ouro velho. Meus pés estão molhados, meus olhos congelados, gelo de água suja, cinza-chumbo, prata suja, o ouro novo como velho.

Enquanto falamos soldados morrem na boca para serem cuspidos, na trincheira serão esquecidos, na garganta engasgarão até a morte de seu autor. Este sim um inocente!

Marcos Pedroso

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