Simplicíssimo

Ou vai ou racha.

Pode ser um poeta feliz? Viver pleno e com poucos conflitos? Ou será que a tradição é tão forte que não permite, em suas mãos de aço milenar, que o gênio possa produzir estando pleno de si, de sua visão e sentimento perante o mundo? É a tensão o combustível fundamental para a boa produção literária? Especialistas em questões, e como sou repetitivo em citar cito Quintana que disse serem mais importantes as perguntas certas do que as respostas certas e sem saber assim ele aquietou várias questões inquietas em minha alma, os homens, estes sacos de problemas, em outra digressãozinha posso comentar que vários destes problemas não existiriam se não nos preocupássemos tanto com a profilaxia, se alimenta em sua alma das questões e tensões criadas por uns e resolvidas por outros, e algumas jamais decifradas. E ficamos nesta masturbação mental pra citar Gabriel, sem, no entanto, em algumas oportunidades, chegarmos ao gozo de modo algum. Fico feliz em não ter prometido respostas, garanto apenas perguntas! Mas tenho estado feliz e repleto. Seria isso motivo de vergonha para alguém que se diz, ou se acha crítico e consciente daquilo que nos rodeia corpos e cabeças? Outro dia disse que havia encontrado a Paz, disseram-me que isso era sinal de conformismo e de um comportamento como o do gado que caminha para o matadouro, cabisbaixo, quieto e passivo ao cutelo afiado. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão quanto a isso, opiniões todos têm, ou deveriam ter. O fato é que cheguei lá, estou assim em paz e pleno, agora basta ver como é que se comporta minha pena frente a esta realidade. Tenho colocado minhas lições em pratica, concentro-me em aquilo que ocorre em meu redor, ouço e vejo humilde. Há bem pouco tempo, eu resolvi parar de escrever, ia abandonar a pena, sentia minha garganta estreita, minha língua áspera, não estava nada satisfeito como as coisas que fazia ao papel, não o achava merecedor de tão profundo destrato. Mas enfim, estou eu aqui novamente ferindo com a pena. Não tive coragem de abandoná-la. Não sei na verdade o que espero disso, e se espero alguma coisa, ou se devo esperar algo, enfim. Vou observar quanto mais hermética fica a escrita com a presença de felicidade, pois ao que parece este é o caminho que as coisas estão tomando. Vai chegar o ponto em que o colapso será inevitável, o que vai espirrar quando tudo explodir é a única coisa de que ainda não sei bem certo, de qualquer modo, vou me sentar confortavelmente e ver no que vai dar, como quem assiste a um desastre de trem.

Marcos Pedroso

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