Simplicíssimo

E o jogo?

Cenas de violência e barbárie marcaram o GreNal 366 no último domingo. O que era para ser um espetáculo por pouco não virou uma tragédia. Parece que há muito pequenos grupos ou até mesmo perversas individualidades se misturam ao grupo para terem sua força potencializada e com impunidade garantida. Freud já descrevia “O fenômeno das massas”. Eu estava do lado vermelho e a primeira invasão azulada despertou-me em mim, logo em mim, homem de paz, um instinto de revolta e defesa, me armando para a briga. Fico pensando o que se passara na cabeça dos demais e a ação de muitos não tardou em os cerca de 200 gremistas que já estavam do nosso lado viram-se surpresos com uma massa (como a do fenômeno) de colorados partir em sua direção e então bateram em retirada. Uma resposta mais instantânea e a catástrofe estaria feita. Mesmo assim a impertinência e arrogância seguiu confinada ao espaço que os tricolores tinham e banheiros foram arrastados por 100m e incendiados. Os bombeiros foram recebido com pedradas e precisaram da cobertura dos policiais para debelarem o incêndio. Banheiro, bombeiros, tudo o que era para ajudar parecia ser visto como algo a ser destruído. Ironicamente, a negra e fétida fumaça das privadas pairou apenas e justamente sobre os seus próprios incendiários. Como se dissesse: “vocês vão ver a merda que fizeram”.Uma vez, há muito tempo, quando eu era um lobinho juvenil, passamos o final de semana acantonados numa fazenda. Ao anoitecer, os chefes sumiram e nossa atividade era encontrá-los pela propriedade. E logo que saímos na escuridão, tomados pelas incertezas e pelo medo, algumas vozes de colegas eclodiram palavras de ordem para que enchêssemos nossas mãos com os cascalhos em que pisávamos. Ao entrar mato adentro, atiramos para todos os lados. Acertamos um que outro chefe e fomos punidos ao final da brincadeira com estrondosas mijadas. É impressionante como nosso lado animal funciona nessas horas. Daí porque deveria se debelar todo ato potencialmente provocativo deste tipo de instinto e tudo o que nos deixa menos racional em situações de aglomerados humanos com este. Após o jogo, falaram de não haver mais torcida visitante nos clássicos, de proibir a venda de bebida alcoólica nos estádios, de identificar e punir os maus-elementos e de um monte de coisa mais. Era o que nos restava, já que não havia muito a se falar do jogo …

 

Ibbas Filho

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