Simplicíssimo

Aquela noite incrível…

Ela estava deitada de costas para o lençol de seda e, desconfio, seus movimentos não eram estudados ou deliberados, era apenas seu corpo semi nu rossando gostoso na seda, que fazia aquela pele de pêssego deslizar deliciosamente. Sobre aquele corpo branco, com meia dúzia exata de pintinhas estava apenas a calcinha, com uma renda exagerada e volumosa, mas que era deliciosa de se imaginar cravar os dentes alí, e o sutian, aquela parte que oprime seus grandes peitos, deixando-os ainda mais volumosos quando confinados, que desde o salão da balada fazia-os parecer querer saltar do decote para fora.

Eu estava do outro lado da sala, como ela, estava apenas de calcinha e sutian, mas conservava meu salto alto, uma fantasia dela que eu não me importava de realizar, acho que também gostava, nossas roupas tão caras e tão difíceis de se colocar estavam agora estendidas pelo quarto com displicência, tal e qual as sandálias dela, tão fora de moda, pratas com tiras longas, destas que envolvem toda a panturrilha de sua perna alva quase chegando ao joelho, então um bosque de nudez do fim destas tiras pressionadas com tesão contra suas pernas, até pouco menos da coxa, onde uma mini saia de um fucsia saido de não sei onde terminava. Suas pernas e suas roupas não ocultavam suas peças de baixo, ao contrário, as destacavam, provocavam, chamavam todos e todas daquela pista para conhecer aquilo que fingiam tentar esconder.

Eu estava lá naquela balada, alternativa dizia o roteiro, e não fui sozinha, fui com um amigo tão cheio de segundas intensões como tinha dedos. Era destes adoráveis falsos canalhas, que andam supostamentes mal vestidos, bebem todas, mas na primeira vez que vocë coloca as costas de sua mão sobre a testa, no mais teatral dos atos, ele para tudo, paga sua comanda e te deixa em casa, com cara de cachorrinho com fome torcendo para o convite para subir rolar.

Fui à balada com ele, mas não que eu não o gostasse, apenas não o queria e tinha isso na mente desde a hora que saí da depilação, dolorida ainda, mas decidida, homem nenhum merece este sacrifício quase quinzenal que faço, para nunca reconhecer. Ele era um amigo, mas por vezes estava mais para amiga (na minha mente, não na dele, onde eu deveria estar no cardápio e não na agenda telefônica). Decidida chamei ele para a balada, para conversar, fazer meus papos de mulher com quem não registraria uma unica palavra do que eu dissesse, e minha metamorfose ambulante estaria assim, preservada de futuras cobranças sobre opniões firmes que desse naquela noite. Ele topo e tava todo bonitinho no seu carro buzinando para eu descer logo, na hora combinada. Flores o fariam cafona, ele trouxe um esquenta, de vodka com coca-cola, light ele me garantiu… Como se as mulheres in did, só pensassem nisso… Hoje eu estava feminista.

Na festinha que entramos sem titubear, balada alternativa, mas cheia de gente bonita, homem pegando homem, mulher beijando mulher, e até aí eu to legal, me esquivando o octópode que trouxe comigo e dançando feliz da vida até ver ela. Preciso confessar, aqui neste batente da porta, seminua com meu salto alto da Gucci, devidamente comprado na Daslu, com nossos perfumes Paris em sintonia perfumando o ambiente e duas bolsas sobre a poltrona no quarto, tudo isso para não mencionar a garota na cama a minha frente, que foi a primeira vez que a beleza de uma mulher me excitou, e me excita ainda. Aquela garota de corpo alvo como leite, de sandálias, mini saia e mini blusa (que ainda assim era 90% decote), era algo entre o vulgar e a luxúria que eu só podia desejar. Não me importei, me peguei olhando-a tantas vezes que quando dei por mim, meu amigo polvo já estava atrás de alvo mais fácil, e a garota sorria quando bebia no canudinho de seu drink, enquanto olhava para mim. Ela dava aquele olhar que nós mulheres damos, de "nós estamos deixando você nos escolher, vai fazer algo ou ficar ai babando?" e eu respondi como respondem os garotos que entendem do olhar, me aproximei dela, segurei sua cintura com delicadeza, apoiei meu corpo contra o dela, fingindo tentar chegar aos seus ouvidos e só consegui dizer uma coisa: eu te quero, eu te desejo da hora que te vi, amei seu corpo e sou capaz de jurar que o amarei para sempre. Vamos sair daqui?

Eramos nós duas, meu primeiro flerte com uma mulher e meu primeiro flerte, homens flertam, mulheres se deixam escolher. Eu fui permitida a escolhê-la e saimos de lá num silêncio opressor por dez minutos de guiadas rápidas pela cidade, cheguei na paulista, em um apartamento bacana e quando a porta dela se fechou com nós duas dentro, o rádio começou a tocar qualquer coisa, bebi algo alcóolico e nos beijamos e nos despimos como se fôssemos o ultimo sexo do universo, e nos beijamos de chupamos, pés, dedos, pescoço, mordidinhas entre nós duas até que chegou aquela hora, esta hora, e eu não tenho a menor idéia do que fazer, enquanto ela roça na cama com lençol de seda e me convida a continuarmos.

Eu fecho os olhos e sinto engolir mais grosso, com o calor que estes momentos proporcionam, eu mentalizo a cena dela lá, na pista, com aquela mini saia e aquela sandália, com a coragem que ela tinha em usar aquele top divino, aqueles brincos e, nem acredito, fui a esolhida. Eu me aproximo dela, pego meu vestido e finjo vendá-la. Prendo seu braço com uma algema de brinquedo na cama e me afasto, pego peças de roupa pelo chão e me afasto mais um pouco. Quando dou por mim, estou vestindo as roupas dela, dentro de um taxi que parte da calçada segundos antes dela me alcançar, ela chora e me xinga, mas não faz mal, desde a hora que eu a vi, eu fiquei confusa, mas agora eu sei o que eu queria, eu queria aquele corpo, aquela coragem, eu pensei que a queria, mas eu queria era ser ela…

Luiz Emanuel Campos

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