Simplicíssimo

Ligações Ocultas

Quem liga para você? Quem liga para alguma coisa? Será que mais que nunca ligações são perigosas?

Pseudomístico – a ciência do cotidiano 22/x

Precisando atingir a luz, postou-se em frente a uma chuva de fótons que formavam imagens com as quais tinha familiaridade. Não contente com receber esta dádiva, compartilhava outros aglomerados de fótons entre irmãos. Curtindo a(s) falsa(s) vida(s) adoidado.

Violentos Haikais – série II / 22/x

Matou a pau
o filho por nada e a sobrinha estuprada
político crente mau

Ligações Ocultas

Usava um sobretudo daqueles que escondiam um mundo, o calção do Esquálidus (personagem da Disney), o cabelo do Dunbar (The Super Globetrotters) por exemplo. Você pode estar pensando no cinto de utilidades do Batman, mas é muito diferente disto, um calção do qual saia uma bicicleta ou um cabelo do qual poderia sair um armário, uma escada magirus.

                Tinha uma personalidade assim, meio Chapolim, meio Obelix ou completamente Pateta (Goofy). Via o mundo por outros olhos, ainda que enxergasse muito bem. Talvez fosse por isto que via coisas que ninguém via, percebia um mundo caótico, entre Monet e Dali. Entre Foucault e Weick.

                Era um super-herói latino-americano, claro, vivia no Brasil e para viver neste País sem ser poderoso, só mesmo sendo super-herói. Mulher maravilha de verdade é aquela que cria seus filhos em um país subdesenvolvido.

                (Pre)ocupava-se demais com a vida para não se preocupar com coisas que não (lhe) interessavam.

                Saia praticamente sem nada e sempre tinha tudo que todo mundo precisava, sobretudo no sobretudo.

                Será que alguém ligava?

                Claro que não, se chamávamos a descoberta da escrita como a “história” humana, vivia em um tempo em que todos escreviam, até os analfabetos, pois bastava falar que os celulares escreviam as coisas por elas.

                Era um tempo obscuro, em que as pessoas não precisavam mais pensar, tudo vinha pronto para elas. Então ninguém ligava.

                Um retrocesso sem nome, uma volta a idade média, quando o misticismo era a solução para todos os problemas. Osni (aquele dos trabalhos de Osni Tchê) tinha escrito que a morte de deus estava ligada ao avanço do deus ciência… Os pouco iluminados iluministas já tinham sido colocados no seu lugar, com adornos e outros que entenderam os seus limites.

                Seria a racionalidade o grande mal da humanidade? Seria a racionalidade a válvula de escape?

                Bom de qualquer forma, quem liga para isto? Importante é a cervejinha do final de semana e o seu time ganhar o campeonato…

                Sem ligar para o melhor amig@.

                O mundo interconectado e visível aos olhos está potencializando a banalização da violência…. Países, empresas (poderosos) e gente comum faz atrocidades a olhos vistos…

                Mas ninguém liga, a internet trocou a forma da gente se comunicar…

                Seu sobretudo tinha as soluções para o mundo, inclusive a preferida dos tempos atuais: tirou uma porção de cancelamentos de forma sorrateira e saiu aplicando contra quem não pensava como ele… e se deu conta, ele também já não ligava para nada.

Foto de capa de Cristiane Teston obtida no site Unsplash

Pedro Armando Furtado Volkmann

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