Uma monstruosa eleição

Num me correge que eu pioreio 2/X
Num gosto de ocê
te dei de troco na rave
duas balas e um doce

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purifica a alma
na beleza e no sabor
camomila meu amor

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No dia 31 de outubro fui votar bêbado em um candidato com cara de personagem de filme de terror. De um lado a noiva do Chuck, de outro o Vampiro Anêmico. Quem me aterrorizaria mais? Alguém que nunca ocupou cargos políticos contra alguém que é exatamente o contrário de tudo que penso? Fazer política faz parte da vida, então, como escolher entre dois personagens de ficção? Talvez seja possível, visto que conforme as condições impostas pelo sistema tornam as propostas de governo irrealizáveis. Primeiro porque numa falsa democracia quem governa é quem corrompe e não quem paga a conta. Depois, como confiar em um brinquedo de um chefe ou em alguém que, para continuar na terra precisa chupar seu sangue? Quando cheguei ao local onde digitei minha escolha, a sala vazia completava a cena. Que fazer? Esvaziar minha mente e chutar um par de números? Escolher entre 1 e 3 ou 4 e 5 não seria injusto com o 2 e os outros números? Não seria injusto para nós dois, eu e você? Será que a máxima, que afirma que só existe decisão quando se opta por algo diverso do que seria o correto fazer visto as circunstâncias e fatos apresentados poderia ser usada aqui? Qual o futuro que começaria, para mim e para você, naquele instante. Seria o fim de nossa história? Como diriam dois amigos do Rafael Reinehr – "Em uma democracia falsa, todo voto é nulo". Nula de idéias de ambos os lados, corrupção, negociatas. Porém, é importante dizer que este é o resumo do mundo regido pelo dinheiro e não especificamente desta eleição.
O percentual de abstenções, votos brancos e nulos demonstra muito mais do que indignação pela política, demonstra a indignação por todo um sistema podre, onde escravos modernos (veja filme http://www.youtube.com/watch?v=ibLDSYMACq4&feature=related) são eles mesmos os responsáveis por sua subsistência.
Então, caro leitor, uma democracia é feita com participação popular, nas decisões e não nas eleições. É feita com decisões populares, com leis que partam do povo para o congresso e não do congresso para o povo. È conquistada com participação e consciência política, com interferência de todos nós nas instâncias públicas.
Neste caso, a única forma de decidir é participar, contestar. Mudar leis que mudem o sistema e não escolher entre dois monstros que vão mandar no mundo.

Obs.:
1 – Não bebo.
2 – Escolhi votar na Dilma Vana Rousseff porque, visto que tenho que escolher, um Neo liberalismo brando é uma opção muito melhor (e não menos pior) do que Neo liberalismo radical. Além disto, Casos como o da candidata Luciana Genro que não foi eleita apesar de expressiva votação provam que coligações são importantes para governar o Brasil conforme as leis eleitoreiras vigentes hoje. Retomando as raízes do Partido dos Trabalhadores existe um longo caminho de luta pela frente para que seus ideais possam ser aplicados.

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I-racional

O nome i-racional surgiu quando me procuraram para fazer uma coluna mensal em um jornal de alunos da Escola de Administração da UFRGS*. Como a maioria das iniciativas neste pais, este jornal teve curtíssima duração (apenas 1 edição). O Simplicíssimo estava começando como um e-zine, distribuído por e-mail para algumas pessoas. Então, quando o referido e-zine ganhou o formato de revista, fui convidado pelos editores, Rafael Reinehr e Eduardo Sabbi para colocar alguns textos que eu já havia escrito. Com o passar do tempo, o I-racional virou coluna semanal. Porém, como eu escrevo sobre muitas coisas distintas, a coluna não tinha uma definição prévia de pauta ou de linha editorial, indo de crítica política ao cotidiano. Apenas busquei manter a estrutura de 2 haikais, um chamado Violentos Haikais e o outro era o Faroeste. Haikais com título e sem preocupação com a métrica de Haikais. Pseudohaikais.
A proposição deste período de retomada do Simplicíssimo para a coluna é diferente, com a manutenção de dois Pseudohaikais. Um deles trata dos temas próprios do original japonês. O outro é uma brincadeira com coisas do nosso Brasil e não terá sequer a correção ortográfica. Escreverei como se fala e sobre o que se fala no Brasil Tupiniquinho.
Já o texto principal versará sobre questões cotidianas, pequenos deslizes I-racionais do nosso dia-a-dia, buscando mostrar idiossincrasias, o gosto pelo fútil e contradições presentes na nossa luta diária pela auto-preservação.
Em outros sites como a Coolmeia ficarão os textos pseudocientíficos sobre os outros assuntos que me interessam: conhecimento, organizações, anarquia, desenvolvimento pessoal e outros.
 

 

De-cisão

A maioria das decisões tomadas pelas pessoas que conheço ainda é feita sem o mínimo de informações sobre o assunto em questão. A escolha recai sobre aspectos que não necessariamente são aqueles relevantes para o tema.
Para começar, existe uma impossibilidade de conhecer todos os assuntos sobre os quais se precisa decidir. Desde uma compra, até a melhor coisa a fazer durante alguma eventualidade.

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