Simplicíssimo

Edição 360 – 28/03/2010 – Deixar um filho morrer: o anúncio do fim do Simplicíssimo

    Desta vez é pra valer: o Simplicíssimo está se encaminhando para sua última edição, e esta já tem data certa para ser publicada: no próximo dia 11 de abril de 2010.
    Os motivos que levaram a esta tomada de decisão não são simples de explicar, mas tentarei mesmo assim, mesmo que essa explicação seja peculiarmente particular e intimista.
    Quando o Simplicíssimo surgiu, lá no final de 2002 (e lá se vão quase 8 anos) a cultura e a literatura viviam em um estado de grande reflorescimento, em função da apropriação da mídia virtual por artistas, escritores e outros tipos de loucos e apaixonados. Nesta onda, surgia uma revista vibrante, formado por pensadores descompromissados senão com sua própria forma de expressão. Desejosos de mostrar a que vieram, o que eram capazes de produzir, sem nenhum tipo de interesse financeiro ou político.
    O tempo passa, a internet sofre revoluções, surge a web 2.0 e o conteúdo colaborativo passa para um outro nível. O interesse por depósitos de cultura se esvai à medida que estes não conseguem se adaptar ao ritmo das mudanças. Não permitir uma rápida interação leitor-escritor (os comentários somente já não bastavam), condenavam os websites de antanho ao ostracismo.
    Anacronicamente, seguimos. Mesmo sabendo e percebendo as mudanças, tinhamos uma teimosia inerente ao nosso espírito aventureiro, ma non troppo.
    Paralelamente, surgiram (em minha vida) outros projetos que passaram a tomar igual e, posteriormente, maior tempo do que o filho pródigo. Entre eles, O Pensador Selvagem e a Coolmeia. Esta última, com um viés muito mais pragmático, idealista, social e comunitarianista do que literário, arrastou de vez o coração deste velho literato. Minha produção literária (contos, minicontos, poesia) nos últimos 2 anos foi reduzida a perto de zero, enquanto a leitura técnica e específica sobre ecologia, sociologia, política, redes, relações humanas e afins só fazia crescer.
    Neste meio tempo, crises e dificuldades com o tempo para manutenção do site, foram minando a sensação de que tudo ainda valia a pena. Depois de uma enquete, a realização bem-sucedida de mais um Concurso de Minicontos, o gás voltou a aparecer, mesmo que os comentários ainda continuassem parcos (amigos, hoje o movimento está no Orkut, Facebook e Twitter, já repararam?).
    Mas a decisão final ainda não estava tomada. Qual é a única coisa que pode ser tão importante quanto um filho? Um outro filho. E foi justamente este acontecimento, a chegada do meu filho Benjamin, prevista agora para junho, que me fez, com tristeza e após muito refletir, decidir interromper os esforços voltados ao Simplicíssimo.
    Se cada um dos que estiverem lendo estas palavras está sofrendo, tenha por certo que eu estou mais.
    Como disse, foram quase 8 anos – o “casamento” durou muito mais do que a maioria dos casamentos reais de hoje em dia. Somos, com nossos mais de 3700 artigos publicados, um caso raro de revista literária com periodicidade semanal (até quase ao final), no Brasil e no Mundo. Trezentos e sessenta edições – e ainda há uma por vir, a derradeira, de número 361, daqui a 2 semanas.
    Não quero fazer deste o editorial de despedida, porque não o é. Gostaria de fazer deste o editorial de convite, para que todos que tiverem algum vínculo atual ou passado com o Simplicíssimo, nos enviem um texto que fique registrado nesta última edição.
    Publicaremos, no dia 11/04/2010, todos os textos que chegarem a nós até o dia 10/04 próximo. Fica então o convite para participares da nossa história, com tua sensibilidade literária, com teu escrito publicado em nossa última edição.
    Depois de encerrado, o Simplicíssimo continuará indefinidamente no ar, como forma de manter o arquivo e o registro de todas suas edições para consulta de leitores, dos colunistas e simplicolaboradores.
    Então, nos vemos, pela última vez aqui nestas páginas, daqui a duas semanas. Até lá.

 

Rafael Reinehr

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