Simplicíssimo

Escovas de Dentes

Dia desses estava eu escovando os dentes quando me dei conta de algo extremamente importante: na realidade, existem 2 tipos (e somente dois) de mulheres: as que deixam a escova de dentes quando larga você e as que a levam. É claro que existem também aquelas que nunca chegaram a levar uma escova de dentes para sua casa e ficam usando a sua, ou mesmo aquelas (blãrgh!) que nunca usam nem a sua escova de dentes… Mas estamos falando aqui de relacionamentos que chegaram a tal ponto de intimidade e estabilidade em que é impossível deixar de ter uma escova de dentes própria. Podemos saber muito acerca da personalidade de uma pessoa analisando a sua escova de dentes. Sua cor, a forma e o tamanho do cabo, a disposição e o estado de conservação das cerdas, enfim, são muitas variáveis que na sua complexa teia de funções e significados delineiam com perfeição a índole do ser amado. Imaginem uma escova de dentes roxa, suja, com as cerdas todas tortas e a base das cerdas toda preta, além de um cabo enorme e largo. Agora imaginem uma escova branquinha, desde o cabo, bem delineado, com curvas bem desenhadas, cerdas em formato arredondado, branquinhas, limpinhas… Outra coisa, né? Mas, voltando ao que interessa, disse antes que só existem dois tipos de mulheres. Em primeiro lugar, é bom saber que os dois tipos têm o potencial de largar você a qualquer momento, independente de quanto amor elas julgam (e dizem) ter por você. Aquelas que deixam a escova de dentes no seu banheiro apresentam um perfil mais narcisista. Têm o desejo de deixar uma marca na sua casa. Uma espécie de agulha cravada em baixo da sua unha. Querem que você se lembre delas. São as conquistadoras, que mesmo depois de deixarem o território ainda querem tê-lo demarcado com um objeto delas. Algumas dessas ainda querem você, nutrindo uma esperança secreta de que a escova exerça um poder mágico sobre você, que o faça ir correndo de joelhos atrás dela, implorando pela volta da mesma. Ora, senão, que história romântica ela vai contar à filha ou às netas sobre o pai (ou avô) delas? Claro, tem também a minoria que só vai se lembrar que deixou a escova de dentes na sua casa dali a uma semana (ou nunca mais, se tiver outra escova em casa). Têm também as que levam consigo a escova de dentes. Essas tem um perfil decidido. Dominadora, sabe o que quer e o que não quer muito bem. Sabe que não quer deixar a você nem um traço da sua existência naquele lugar (na sua casa). Geralmente também leva todas as fotos nas quais está junto, todos CDs que levou para a sua casa e, se bobear, pede de volta os presentes que lhe deu e lhe devolve os que você deu (às vezes também pode estar levando junto a escova de dentes somente por questão de economia (“É uma escova novinha em folha pô, e eu não vou comprar outra!”) ou de estima (“É minha escova predileta: foi com ela que escovei meus dentes pela primeira vez depois daquele tratamento de clareamento dos dentes!). Desta feita, escovas vão, escovas ficam, assim como os dedos, os dentes e, porquê não, os amores. Escutando Barry White, “Thank You” e escrevendo estas linhas, depois de mais um dia “normal”, em que cheguei a cogitar a “inexistência da linguagem”, discutir sobre girafas azuis, chego à conclusão que devemos trabalhar menos e ter mais lazer. Todos deveriam. Assim, sigo com meu plano de trabalhar apenas um turno por dia daqui a alguns anos. Quem sabe vou poder dedicar-me mais à arte que tanto prezo e valorizo. Dar mais atenção à imagem, ao som, à palavra, às cores e à luz, às pessoas enfim… O que isso tem a ver com escovas de dentes? Ora, não torra!

Rafael Reinehr

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