13 de Maio

13 de maio. Passou, passado, pensam. Num momento de pressão intensa da sociedade inglesa, que desejava ardentemente estabelecer maiores vínculos comerciais com o incipiente Brasil, finalmente foi promulgada a Lei Áurea. Um momento que imortalizou a princesa Isabel, também conhecida como ? A redentora?, por algumas gerações de historiadores, e, principalmente pelo populacho reprodutor da ideologia dominante.

Passou, mas não é passado o futuro incerto de milhões de descendentes de africanos que ainda padecem vítimas de preconceitos por todo o solo pátrio, e dentre os preconceitos, um que supera a diferença da melanina, o econômico, mais cruel talvez que o etnocentrismo burro que atinge boa parte da população mundial.

13 de maio. Passou, passado, pensam. Num momento de pressão intensa da sociedade inglesa, que desejava ardentemente estabelecer maiores vínculos comerciais com o incipiente Brasil, finalmente foi promulgada a Lei Áurea. Um momento que imortalizou a princesa Isabel, também conhecida como ? A redentora?, por algumas gerações de historiadores, e, principalmente pelo populacho reprodutor da ideologia dominante.

Passou, mas não é passado o futuro incerto de milhões de descendentes de africanos que ainda padecem vítimas de preconceitos por todo o solo pátrio, e dentre os preconceitos, um que supera a diferença da melanina, o econômico, mais cruel talvez que o etnocentrismo burro que atinge boa parte da população mundial.

O preconceito econômico é ainda vivo, resquício de uma sociedade que não estabeleceu um sistema adequado na época da escravatura, pois aos dominantes não havia interesse em oferecer qualquer tipo de educação aos dominados, com o medo de que um dia eles pudessem desenvolver uma consciência coletiva de luta e acabar com a desumaninade das correntes.

Veio a liberdade forçada pelos ingleses e milhares de seres despreparados foram jogados no seio do capitalismo que chegava à nova terra, com a vibrante transformação da sociedade industrializada da Europa.

Sem lenço ou documento os descendentes afro se espalharam pelas cercanias das cidades fornecendo mais uma vez mão-de-obra barata para sustentar a sociedade brasileira no nascedouro burguês e urbano.

Empregadas domésticas, motoristas, porteiros, moleques de recado, praças do Exército, sempre a arma mais popular do país, eles foram aos poucos conquistando alguns postos.

Mesmo no Rio de Janeiro e Bahia, maiores centros concentradores de negros por metro quadrado do país, o preconceito econômico tem alijado os descendentes afro do processo de desenvolvimento social. É só verificar nas novelas onde existem mais brancos, nas louras que suplantam as morenas brasileiras em qualquer comercial, nas faculdades particulares e privadas.

A selvageria da descriminação econômica, que impede uma inserção maior por parte de quem descende dos fabricantes da riqueza da terra, da terra das canas e de tanto sangue espalhado pela terra.

O sistema de cotas amaldiçoado pela parcela classe média da sociedade veio tentar
amainar um pouco a conta Brasil, mas não sabemos como vai funcionar. A classe média branca exige a meritocracia, uma arma que só é justa se as condições forem iguais.

Curioso. A classe média se sente escrava do sistema de cotas. 13 de maio de 1888. 13 de maio de 2005. Quantos negros ainda trabalham sem carteira assinada? Quantos serão presos hoje apenas por causa da cor? Quantos vão conseguir ler este texto? Tomara que isto seja possível nos próximos anos. Ler um texto que questiona a falsa liberdade.