Canção em Roda de Infância

            Esta tua mania me convalesce do vazio, me perturba e me acomoda a novos caminhos, aperta o ventre e agasalha a palha do amor-fogo. Esta tua mania, de desejar afago deitada madona na esteira renascentista fotografa meu desejo. Esta tua mania de mergulhar na leveza, azulando os segundos me faz sentir que tudo a partir daqui será possível, mesmo não sendo.             Esta tua mania me convalesce do vazio, me perturba e me acomoda a novos caminhos, aperta o ventre e agasalha a palha do amor-fogo. Esta tua mania, de desejar afago deitada madona na esteira renascentista fotografa meu desejo. Esta tua mania de mergulhar na leveza, azulando os segundos me faz sentir que tudo a partir daqui será possível, mesmo não sendo. Esta tua mania de nunca abrir mão de nada, nem da infância, do copo de geléia, das orquídeas, da essência de donzela, do aroma da amora, de Paris, do ultimo dia do ano, da lembrança da janela antiga. Esta tua mania de solidão a tarde, de rever sempre a mesma paisagem a beira mar, de traçar rastros na areia, salga a brisa do outono, e me faz esquecer que sou eu que te invento, te recrio pelas vitrines da vizinhança. Esta tua mania é como velho rememorando a juventude, é ingenuidade de um parto sem dor, é morte da flor. Esta tua mania de crescer em segundos, ali plantada na plataforma da vida, é fresta que se abre no primeiro revelar-se, na primeira paixão, quando caminhamos sem nos dar as mãos, e percebemos que alguma coisa se perdeu, desapareceu, mas floresceu. Esta tua mania é fuga do precipício, dor, analgésico e sacrifício. Esta tua mania é meu vazio, enquanto eu amadureço, me retorna sempre em enigma, e eu invento e imagino em minhas intermitências o outono de folhas caídas. E eu lhe diria que sou imensamente grata por essa tua mania…