Simplicíssimo

Fragmento

Quero que o velho Dylan me leve. Ele deve saber para onde ir. Sinto esta batida gostosa. Esse sabor doce de nostalgia na boca. E quão bom é esse blues safado, preguiçoso. Pouca coisa mudou nestes tempos modernos. Nem precisava. Continua curando do mesmo jeito. Depois de um dia estafante, rochas espatifadas, cores sombrias, caos e estigmas. Sem direção para seguir. Duas almas perdidas. Os mesmos velhos medos. Analgésicos no fim. As músicas, geralmente, duram mais de seis minutos. É como rir de si mesmo. Sempre divertido. Sempre necessário. Fazendo uma caricatura de sua própria personalidade. E aí eu descubro que “Ain’t Talkin” é a minha preferida. Extremamente sintomático – e irônico. Play again. “Love Sick”. Juro. Vou parar. 10 segundos e uma cumplicidade arrebatadora. É como ser queimado vivo. De repente, não tens certeza de nada. Tudo cheira muito mal. Quero meu sorriso fácil de volta. C’mon baby, light my…. Quero o transe. Tudo o que é selvagem, natural, instintivo. Quero pular de cabeça. Nada se resolverá pela manhã. Deixei alguma coisa pelo caminho. Vá dormir, garoto. Vá dormir.

Maurício Angelo

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