Simplicíssimo

Ontem (6)

2007-02-04

Voltei à baixa de Leiria, mais precisamente à Av. dos Heróis de
Angola, que agora está cheia de heróis vindos de outras partes do
mundo, porém com um espírito muito semelhante aos que daqui
demandavam as terras de África: carência de tintura. Aliás, toda a
Europa está na mira dos famintos de tintura de todo o mundo.
Com os imigrantes da África lusófona e do Brasil já convivemos
há muito tempo. Porém, muito poucos dos vindos dessas paragens
conseguem chegar sequer ao cheiro da tintura. E aqueles que por acaso
chegam são, em geral, os que não vieram com uma mão à frente e
outra atrás, como é o caso do manda-chuva da TAP ou do treinador
nacional. Esses já cheiravam tintura na sua terra e foram chamados por
um cheiro mais intenso, porque a tintura vicia e a tintura atrai tintura.
Pretos, não conheço um sequer que tenha chegado a destacar-se
na máfia da tintura, excepto algum apresentador de televisão para
mostrar que nós até nem somos racistas e damos oportunidades a toda
a gente, independentemente do seu credo, religião, raça e orientação
sexual. Se os pretos aprendessem como actuam os homossexuais, hoje
a maioria dos deputados era negra e muitos dos governantes também.
Ia-me esquecendo de falar do nosso ministro do caos interno que
é preto, mas não de África. Dizem que é “monhé“, os “monhés“ sabem
como as coisas funcionam, estão organizados como os homossexuais e
conseguem impor-se mais ou menos. Chineses? Hum, só se for aquele
ministro da tintura que nos vende como baratas aos seus.
Mas deixemos a máfia em paz e deixem-me contar-vos acerca do
ambiente cosmopolita que se vive em Leiria. A maioria das pessoas já
só compra nas lojas dos chineses; alguns tios ou os que pretendem
fazer-se passar por tios é que não se atrevem a pôr lá os pés, não vá
alguém vê-los (Leiria é um meio pequeno ainda) e pensar que são uns
pelintras. Até os meus colegas professores fazem questão de dizer que
têm óculos de 500 euros (ou mais) e que no chinês custam 2 ou 3 euros
e fazem o mesmo serviço, caso contrário não estariam agora a ler isto
aqui no visor.
Nos cafés, e em vários outros pontos de venda, papelarias,
talhos, supermercados, etc., a maioria dos empregados é brasileira,
sendo o Brasileiro a quarta língua mais falada em Leiria, a seguir ao
Russo, o Chinês e outra língua do Leste europeu. De tal modo que
seria politicamente correcto que se passasse a ensinar o Russo e o
Chinês nas escolas, porque afinal o Português tende a ser uma língua
morta que, tal como já acontecera ao Latim, só se usa agora em
documentos oficiais que nem sequer se encontram traduzidos, o que só
complica a vida dos de Leste e dos Chineses.

2007-02-05

Não saí de casa. Porquê? Ainda perguntam? Resolvi seguir o
conselho do JSS e passei a ler os jornais e a ver televisão. Ora, segundo
os jornais que eu li, a gripe das aves já chegou a Inglaterra e há 900
trabalhadores portugueses com medo de serem despedidos do aviário
de perus onde trabalham. Com a gripe eles não estão nada
preocupados, preocupam-se é com a tintura que vão perder porque eu
e outros vamos deixar de comer perus (eu nunca gostei de perus, só
comia por ser barato). Agora, enquanto não chegar a gripe dos porcos,
só vou comer carne de porco, vacas não porque andam loucas e há
muito tempo que não como vacas, e bois nunca.
Estão a ver como funciona este mercado das grandes empresas?
Basta um espirro de um peru para pôr quase mil pessoas na miséria. O
tio Smith nunca defendeu grandes empresas, acho que ele era
favorável a muitas e pequenas empresas. Mas isso vai contra os
princípios das pessoas que acham que têm direito ao melhor e não
pode haver vários melhores, há sempre um que é o melhor dos
melhores. Por exemplo, os relógios Rolex são, sem dúvida, os melhores
porque se não fossem os melhores como se justificaria serem tão caros?
Por isso, e porque todos os que podem ter um Rolex devem poder ter
um Rolex, a Rolex tem que produzir mais e as empresas crescem
porque é o mercado que pede para crescerem.
E os perus? O que é que os perus têm a ver com relógios Rolex?
Tudo, os perus têm tudo a ver com os relógios porque eles também são
produzidos para abastecer o mercado e, se o peru adquirir fama de ser
o melhor peru, ele será o que mais lucro dará ao produtor porque este
pode vendê-lo a preço superior ao dos outros.
Porém, no melhor pano cai a nódoa. Se correr o boato que os
relógios Rolex fazem cancro, já mais ninguém quererá ter um Rolex,
imediatamente a cotação da Rolex International cai nas bolsas e
passamos a comprar Rolexes por tuta e meia na feira, mas autênticos.
Desculpem-me os senhores tinturistas de eu estar aqui a
desvendar alguns dos segredos da tintura à malta.

~~~~~~~~

2007-02-07

Em suma, à medida que o globo aquece, a tintura vai
evaporando dos mercados para condensar nos locais ricos em tintura,
seguindo uma lei da natureza que ainda não foi bem estudada mas que
qualquer pessoa pode constatar nos azulejos da sua cozinha. Reparem
que a gordura que se evapora dos tachos não se distribui
uniformemente pela superfície dos azulejos, formando pelo contrário
pontos onde se vai adensando e, se de vez em quando não se limpar,
esses pontos vão ficando mais e mais gordos, deixando a maior parte
da superfície limpa. Assim como gordura atrai gordura, também a
tintura atrai tintura e ela acaba por ir parar sempre aos mesmos pontos
que ficam sempre mais e mais gordos. Como a tintura não nasce
espontaneamente do chão, ela tem que ser produzida com trabalho
mas evapora-se rapidamente. A máfia mantém sempre o aquecimento
global para que toda a tintura produzida possa evaporar-se e
condensar nos pontos gordos.
Por isso é que cada vez mais se ouve falar da globalização e do
aquecimento global. Os combustíveis são, como se sabe, excelentes
fontes de aquecimento que fazem evaporar a tintura das pessoas. As
empresas de combustíveis andam a condensar cada vez mais tintura,
salvo erro a Shell conseguiu arrecadar mais 21% de tintura do que no
ano passado, e com menos combustível.
Porém, como diz o JSS, as pessoas deviam aprender a viver sem
tintura e não produzir tintura mas aproveitar sim a energia do vento
para curar o pé-de-atleta, evitando, desse modo, que haja exploração
da tintura alheia. Pode-se aqui parafrasear o tio Marx, dizendo que não
se deve permitir a exploração da tintura pela tintura, mas desde que se
produza tintura ela, inevitavelmente evapora e condensa nos pontos
gordos, é uma lei irrefutável da natureza.
E aqui termina o capítulo Ontem da Saga da Tintura. Haverá um
capítulo chamado Amanhã? Amanhã veremos… 

Henrique Sousa

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