Simplicíssimo

A Morte do Escritor

Por que este constante desejo de suicídio? Este fantasma que me assombra noite e dia?… Este demônio que atormenta meu espírito, clamando pelo fim…
Aí, de repente, o desejo de escrever… de pôr este tormento no papel… de registrar essa dor, transmiti-la para outros… transmiti-la através de outros!…
Às vezes, parece que viemos para isso: sofrer… e escrever! – para que outros aliviem os seus próprios sofrimentos…
Será que Virginia Woolf teria escrito Mrs. Dalloway sem esse desejo de acabar com a própria vida? Sem o desejo de acabar com essa vida arrastada… uma vida aprisionada pelo tempo… que nos corrói, que nos consome lentamente?…
… E o que dizer de Sartre, Thompson?…
A morte fê-los criar vidas!…
A morte… a mais fiel companheira do homem… a mais fiel amante de um escritor!…
Quisera eu que, assim como em Sartre, a morte também me fizesse criar textos maravilhosos… obras-primas…
Mas não… Sou estéril até na maior das inspirações…
Páro por aqui…
Desligo o computador…
…e volto a pensar na vida!…
…O escritor morre… (…) mais uma vez!…

NOTA DO AUTOR: “A Morte do Escritor” foi minha ressurreição literária. A obra foi publicada pela Andross Editora na antologia “Literatura Crônica”, em 2006.

Edweine Loureiro

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