Simplicíssimo

Giugno Pisano

O mês de junho para mim, além de ser o mês dos namorados, tem um simbolismo interessante desde quando visitei a cidade de Pisa, em junho de 2004. É o Giugno Pisano, período de festas em homenagem a cidade, em que um recheado calendário traz uma magia que permeia toda a lembrança de quem assiste. Como a imaginação é livre, vou trazer pro site, nestas duas semanas de junho, algumas cenas que só de fechar os olhos já é possível enxergar, sentir, quase percorrer com a idéia os dias e noites da comemoração local.

Especialmente nos dias 16 e 17 de junho ocorrem as duas celebrações mais encantadoras que assisti, em homenagem a San Ranieri, Patrono da cidade. Dia 16 é quando todas as fachadas das casas e palazzos que margeiam o Rio Arno são tomados por velas acesas, dispostas em armações que, por vários dias, são preparadas para o festejo. Existem quatro vias ao longo do Arno, os chamados Lungarni, que, à noite de 16 de junho acendem-se para celebrar o Patrono San Ranieri. As luzes se apagam, as gentes vêm para as ruas, e a única iluminação é a fornecida pelos milhares de velas que encantam a noite. Vêem-se fogos coloridos sobre o rio, tendas de doces e guloseimas, balões e o encanto no olhar de uma cidade inteira que, a cada ano, sorri para o fogo das velas, para os reflexos na água, para o eterno fascínio que há na noite intensamente iluminada por pequenos e grandes fogos.

Dia 17 de junho ocorre a Regata di San Ranieri, e todos os pisanos assistem, ainda à luz do dia, à parada histórica em homenagem ao Patrono, vestes típicas, sons de festa e a alegria dos coloridos vermelhos, brancos, amarelos e azuis que percorrem os Lungarni, nas roupas dos cidadãos, nas tendas, nos trajes históricos, na luminosidade do sol sobre os movimentos do rio, provocados pela Regata. A figura do entardecer, a alegria de todos nas arquibancadas, o clima festivo que visita cada um dos expectadores compõem cenário de magia, de sonho, de um sentimento indefinido que me toma a cada junho, e transportam meu olhar para o indecifrável prisma de luzes, fogos, claros e escuros que, assim como dançam no Arno, refletem-se também no balançar das minhas memórias guardadas.

Na próxima semana conto um pouquinho mais…Tive vontade de compartilhar com os colegas colunistas e leitores do simplicíssimo essa alegria que, desde ontem, acende as pequenas e delicadas velas da minha memória Pisana.

Betina Mariante

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