Simplicíssimo

Um Reveillon

Ciclos sempre feitos

Alimentam nossas esperanças

Querem manter o queixo pesado apontando para o horizonte

O mais longínquo e mais atraente

 

O ferrolho do mês é feito de bronze

O cadeado do ano é de prata

A fechadura de uma década é puro ouro

Valores meticulosos fixados pelo mercado

 

É o capítulo que fica atrás

A página que jamais volta

Contar o passar do tempo

Criação cruel do homem

 

Coisa mais clichê!

 

Suas rápidas e afiadas divisões

Engrenagens assassinas se você pára no caminho

Segundo encaixa-se no minuto

Minuto que trabalha com a hora

 

Hora rodando junto com o dia

Dia e mês sempre bem azeitados

Mês que faz andar o ano

Este esquema infalível é até bonito

 

Quando não fizermos tal diferenciação

O dia primeiro será janeiro

Cada janeiro será o ano zero

O fôlego de renovo deixará o queixo leve e aprumado

 

Mas os eixos fora de centro

Fazem variar de modo que não dá pra acompanhar

Não nos permite entender ou acostumar

Sempre esmagam pés e cabeças

 

Aqueles que se acham adaptados

Trazem o marechal no pulso e o coronel na carteira

Marcos Pedroso

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