Simplicíssimo

Um ladrão

A criança escuta estranhos ruídos vindo do quarto ao lado. Corre para lá. Ao abrir a porta, vê, através da semi-escuridão do quarto, um vulto fugindo pela janela.

Imediatamente a mãe puxa a coberta até o pescoço.

“Mamãe?”

“Não tema, querido. Ele já foi embora.”

“Mas quem era?”

“Um ladrão, filho.”

“Um ladrão! E ele fez algo à senhora? Roubou alguma coisa?”

“Não, meu anjo. Ele não me fez nada. Não roubou nada.”

Ao dizer isso, debaixo da coberta, suas mãos a desmentiam. Ao tempo que uma descia pelo ventre, para se aninhar entre as pernas nuas e lassas, a outra subia até o peito, a fim de conferir se o coração ainda estava lá.

Wilson Gorj

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